28 maio 2006

A queda de um mito no UFC 60



(foto - Royce, de bermuda azul, sendo massacrado)

No século XX a Família Gracie teve uma visão e se vestiu com o manto de comprovar ao mundo a superioridade do jiu-jitsu. Por muitos e muitos anos Hélio, Carlson, Rolls e outros tiveram o duro encargo de enfrentar adversários mais fortes e com habilidades em outras artes, sempre demonstrando, com sucesso, a eficiência do jiu-jitsu.

O mundo as artes marciais agradece à família Gracie a apresentação do Jiu-jitsu.

A gratidão, porém, passou do aplauso e fixou residência nos treinamentos. Todos no MMA reconhecem a necessidade de conhecer, ao menos, o anti-jiu-jitsu, o suficiente para amarrar o jogo e não ser finalizado. Todos evoluíram, mas parece que os Gracies não.

Além de não ter nenhum membro da Família Gracie entre os tops, este domingo (28/05/06) foi testemunha da triste derrota do mito Royce (13v- 3d.- 3e.) para Matt Hughes, nocauteado no 1º round em sua volta ao UFC 60, onde nunca havia sofrido um revés.
Para quem não se lembra, o UFC foi criado por Rorion Gracie para ser palco de desafio entre estilos, com os lutadores se enfrentando em três combates em uma só noite. Nas quatro primeiras versões, Royce venceu todas as suas lutas, não levando o cinturão apenas no UFC três porque teve que abandonar a disputa após a vitória sobre Kimo Leopoldo. No UFC 5 empatou com Ken Shanrock (que viria ser o nome a ser batido nos anos seguintes) após o americano amarrar descaradamente a luta.

Os tempos, contudo, passaram, e hoje tivemos que ver um mito ser massacrado. Que sirva de lição para se curar a miopia que ataca os Gracies.

Para assistir Matt Hughes vs. Royce Gracie
http://www.megaupload.com/pt/?d=Z1LHC85R


Pega Leve vs Gabriel Napão

Neste triste final se semana onde a única vitória brasileira foi sobre outro brasileiro, abro parênteses para ratificar o que tenho dito em outros fóruns: Gabriel Napão (6v. -1d.– 0e.) tem tudo para se fixar com um top em sua categoria. Tem um excelente chão (não deve nada a qualquer outro no mundo) . Sua trocação não é das melhores, mas evoluindo no fundamento, o que pode acontecer com boas doses de chute boxe, terá condições para pegar o cinturão.

A vitória de Gabriel Napão
http://www.megaupload.com/pt/?d=U5ONQGNU


Quantos aos demais brasileiros na noite parecem que seguiram o tom da apática ditado pelo Mestre Royce Gracie; Assuério Silva (10v.- 5d.- 0e.) foi derrotado por Brandon Vera (7v. 0d.–0e.) e Fabiano Pega-Leve (5v. 3d.–0e.) por Napão.

Luta do Assuério vs Brandon Vera
http://www.youtube.com/watch?v=LsXy1hyJS_k&search=UFC%2060

26 maio 2006

Vitor Belfort – o retorno?


Primeiro ídolo brasileiro do MMA moderno que não tinha, apesar de adotado por um, o sobrenome Gracie, Vitor Belfort (13v-6d.–0e.) conheceu de perto os altos e baixos da fama. Treinado por Carlson, Vitor logo se destacou nos treinamentos e, alçado da faixa azul para a preta de jiu-jitsu, estreou, em sua segunda luta, no UFC 12 (fevereiro/97) com duas vitórias no mesmo dia (sobre Tra Telligman– interrupção e Scott Ferrozzo – nocaute). Não demorou a receber a alcunha de Fenômeno, apelido dado, principalmente, pela rapidez de seus socos.
Apesar da primeira derrota para Randy Couture (14v.- 8d.- 0e.) no mesmo o ano, o prestigio de Vitinho não diminuiu e as vitórias se seguiram, inclusive com o clássico nocaute sobre o então iniciante Wanderlei Silva.
A clássica vitória sobre Wanderlei Silva
Em 2002 sua carreira tomou novos rumos com a participação na Casa dos Artistas 2, tornando-o extremamente popular. Aproveitando da fama obtida, Silvio Santos transmite pela primeira vez uma luta de MMA na televisão aberta, que alcança o excelente índice de 14 pontos no IBOPE, mas Belfort é derrotado (decisão) por Chuck Lidddell (18v.- 3d.– 0e.) e a carreira do atleta inicia seu declínio. De 2002 até 2006 foram sete lutas, sendo três vitórias (Marvin Eastman; Randy Couture e Antony Rea) e quatro derrotas (Chuck Lidddell; Randy Couture; Tito Ortiz e Alistair Overeem).
Várias razões foram apontadas para o declínio de seu desempenho, da fama que teria subido à cabeça, constantes trocas de equipe, seqüestro da irmã e até mesmo o pé frio de seu novo empresário (Jorge Guimarães – o Joinha, apresentador do Premiere Combate).
Muitos ficam aguardando o retorno vitorioso, o que pode estar prestes a acontecer. Passada a tempestade da fama fácil da Casa dos Artistas, resolvido o seqüestro da irmã (que infelizmente não teve final feliz), Vitinho voltou a eventos menores (Cage Rage) e se concentrou nos treinamentos de boxe, que o projetou.
As duas últimas lutas do Fenômeno, sendo uma sua estréia no boxe profissional, já mostram a melhoria sustentável, para utilizar um jargão do economês em moda. No combate no Cage Rage 14, contra
Antony Rea (9v.- 5d.– 0e.), Belfort mostrou um bom jiu-jitsu, com direito a uma omoplata quase perfeita, e, principalmente, muita confiança no boxe. Há de se fazer, contudo, ressalva para a pouca agressividade de Rea.
Na sua estréia no boxe profissional, Vítor enfrentou Josemário Neves, ex-campeão baiano, tradicional reduto da nobre arte nacional, e não deu qualquer chance ao adversário, aplicando-lhe três knock downs, em menos de um minto.

Ainda é pouco, mas já aguça o desejo de presenciar o retorno do Fenômeno aos grandes eventos.


A vitória no Cage Rage
http://www.hausfightwear.com.br/videos_10.php

A vitória em sua estréia no boxe profissional

Questão operacional ou falta de visão?


Uma das reclamações mais recorrentes que se pode verificar nas academias e fóruns ligados às lutas é, sem dúvida, a impossibilidade de acompanhar ao vivo os principais eventos de MMA, mas precisamente UFC e PRIDE.
E o pior é que, em 2005, o canal Premiere Combate (Globosat) apresentou como degustação quatro eventos do PRIDE transmitidos diretamente do Japão. Para os amantes do MMA foi algo parecido como ter quatro copas do mundo em um só ano, madrugadas percorridas na expectativa de acompanhar, principalmente, as vitórias dos brasileiros em ação.
Apesar de toda a vibração o canal anunciou que não renovou o contrato e as transmissões cessaram, deixando os telespectadores à deriva na internet. As reações foram muitas, incluindo, inclusive, campanha de cancelamento de assinatura em massa no principal portal de MMA do Brasil.
Apesar da revolta e decepção, insisto em ver a decisão da Globosat com outros olhos e tentando entender a postura do canal Premiere Combate. O fato é que o MMA tomou a dimensão que tem hoje devido à aceitação no mercado, principalmente o japonês e americano.
As vendas de produtos ligados às lutas, incluindo as transmissões televisivas, formaram um novo filão de negócio, estimulando novos eventos e novos lutadores. A inexistência da mais valia (tradução marxista de lucro) fatalmente condenaria aos antigos e românticos embates dos gracies contra outras artes.
Em recente entrevista ao “site” faixapreta.com, o diretor dos canais Premium da Globosat, Elton Simões, afirmou que a dificuldade de compra dos direitos ao Pride decorre, exclusivamente, do preço pedido e as dificuldades de efetuar a transmissão ao vivo, que, segundo Elton, encarece em de 2 a 3 vezes o valor do evento.
Comentou ainda, que o pagamento do preço pedido pela DSE praticamente inviabilizaria o canal, fazendo com que o prejuízo fosse maior:
“Consideramos o PRIDE muito importante, por isso estamos fazendo um grande esforço para comprá-lo. Porém, entre as responsabilidades de um canal, está a garantia de dar continuidade a ele. Se pagássemos o que o PRIDE está pedindo não teríamos mais o canal.”
Antes de concluir pelo descaso do canal com os telespectadores, é necessário verificar que o Premiere Combate não parou o investimento nas lutas, tendo adquirido, recentemente, um pacote de 24 lutas para este ano, o que atende ao pedido de 42% dos assinantes do canal (segundo a Coluna Controle Remoto do Diário do Nordeste). Além do boxe, que é um bom programa, a Globosat adquiriu ainda o K-1 e Cage Rage, mas nenhum destes ao vivo.
Apesar de reconhecer as dificuldades no fechamento do negócio, o que causa estranheza é o fato das lutas ocuparem, segundo reportagem do JB em 29/09/02, o segundo lugar da preferência dos assinantes, perdendo apenas, é óbvio, para o futebol, mas ficando à frente de esportes tradicionais como vôlei (3º colocado), o futsal (4º), o tênis (5º), o automobilismo (9º) e o basquete (20º).
Segundo o Jornal, em agosto de 2002 o MMA foi visto por 69.040 assinantes (52,1%) do público que viu futebol (132.417). Pela quantidade de aparelhos ligados, dado que serve para a contagem da audiência, o quadro fica ainda mais favorável ao MMA, já que contou, no período, com 2,3% dos aparelhos legados, quando o futebol obteve 3,5%.
É inegável que as transmissões ao vivo de 2005 aumentaram o número de assinantes, e o público do MMA, apesar de praticamente ignorado pela TV aberta, cresce ano a ano, potencializando, ainda, mais, o mercado da Globosat.
É impossível ignorar as dificuldades da aquisição do PRIDE, mas é incompreensível o canal não se aliar aos produtores brasileiros para a realização de eventos em terras brasileiras. Jamais alcançaremos, ao menos nesta geração, o nível de fanatismo que existe no Japão, aonde a admiração pelas lutas vem desde a era dos samurais, mas o Brasil é certamente o maior celeiro de lutadores do mundo e a existência de um GP com bolsas dignas e compatíveis com a realizada brasileira, com certeza iria alavancar os índices de audiência.

É muita audiência represada.

23 maio 2006

Recordar é viver


No atual estágio do MMA, é impossível defender a supremacia de um estilo. Após, principalmente, o furacão Marco Ruas (8v-3d- 2e) ter conquistado o UFC 7 (1995) apresentando enorme intimidade tanto para lutar em pé como no chão, o vale tudo iniciou sua transformação para Mixed Martial Arts (Mistura de Artes Marciais) e o cross-trainning (treinamento em diversas artes) se fixou como o único modo de se preparar para a luta.
Antes, contudo, a família Gracie incorporou a missão de comprovar a supremacia do jiu-jitsu e partiu para o mundo desafiando todas as artes marciais para combates sem regras, onde apenas o reconhecimento da vitória interrompia a luta.
Esse post vem apenas lembrar essa fase romântica, sem qualquer pretensão de insinuar alguma superioridade. Ao contrário, serve até mesmo para lembrar que aqueles lutadores de jiu-jitsu que se recusam a treinar sério outras artes hoje se encontram cada vez com menor destaque. É com pesar que vejo rankings, que, mesmo feitos sem critérios objetivos, não contam com Gracies no topo.
Jiu-Jitsu vs

Karatê
http://video.google.com/videoplay?docid=4484668185211770452&q=%22jiu+jitsu%22

Full contact
http://video.google.com/videoplay?docid=-6043278201850043031&q=%22jiu+jitsu%22+vs

Luta Livre (o clássico Rickson Gracie vs hugo Duarte)
http://video.google.com/videosearch?q=Rickson+Hugo+Duarte

Karatê
http://www.youtube.com/watch?v=9b6a2VH5HJg&search=%22jiu-jitsu%20vs%22

professional NFL player (??? – mas é um bom vídeo)
http://www.youtube.com/watch?v=8dVqMIt8jSY&search=%22jiu%20jitsu%20vs%22

Judô (Rickson e Royler)
http://video.google.com/videoplay?docid=-1015797790370952500&q=RICKSON+GRACIE&pl=true

JKempo (Royler)
http://www.youtube.com/watch?v=naWEbPDz80w&search=royler

Capoeira
http://br.geocities.com/suporte_videos03/bjjxcapoeira.mpg

Judô
http://video.google.com/videoplay?docid=-5147299969432921273

Kung Fu
http://s37.yousendit.com/d.aspx?id=1PBHPW3Z0F97D27GXVWYEQA648

Sambo (Rickson)
http://rapidshare.de/files/2575105/Rickson_-_Sambo.mpg.html

Judo + Boxe chinês
http://www.megaupload.com/?d=EG8P943S

Kickboxer
http://www.megaupload.com/?d=BSKU61V5

Judô (Royce)
http://www.megaupload.com/?d=DIZE6AHM

22 maio 2006

Rickson Gracie x Kazushi Sakuraba - sera?


Poucas lutas foram tão aguardadas como Rickson Gracie contra Kazushi Sakuraba, cuja especulação indica que se realizará no K-1 em setembro ou dezembro, já que a organização teria acertado com o Brasileiro sua bolsa (US3.000.000,00).

Quando todos contavam como certa sua realização após o Japonês vencer quatro membros da família Gracie, motivos particulares (a morte do filho) afastaram Rickson do cenário do MMA desde 2000.

Enquanto Sakuraba sedimentava sua sólida carreira e a condição de ídolo no Japão, muitas vezes os boatos noticiavam a volta de Rickson, sempre frustrando, porém, os que aguardavam a retomada da carreira.

Concomitante com o desenvolvimento do MMA, tanto tecnicamente como empresarialmente, o mito sobre o Gracie se tornava cada vez maior. São comuns as discussões sobre como se sairia atualmente em confrontos contra lutadores mais qualificados.
Um dos motivos, alegado em várias ocasiões, que dificultava o retorno era o valor da bolsa, já que exigia montante superior a U$1.000.000,00.

Ao contrário do que muitos pensavam, porém, Rickson novamente se colocava na vanguarda do esporte ao exigir maior participação nos lucros do espetáculo.

Se antes, apesar de juntar mais de 50.000 pessoas em eventos, havia dúvidas acerca da alta lucratividade do MMA, hoje não há maiores questionamentos.

Em recente reportagem com o promotor de boxe Don King, a conceituada revista Forbes (abril/06) coloca o boxe como um esporte que está morrendo, citando, para demonstrar a queda da nobre arte, a ausência de ídolos, a existência de muitos campões em diversas categorias e organizações (sete) e a redução do interesse pelos mais jovens.

O MMA, por sua vez, menciona a publicação, não padece destes vícios, tendo sempre ídolos locais (ainda que fabricados – ressalva do blog) e duas grandes organizações (UFC e PRIDE). Um exemplo citado pela Forbes ilustra muito bem a curva descendente do boxe a ascendente do MMA. O reality show da NBC sobre boxe (The Contender), mesmo estrelado por Sugar Ray Leonard e Sylvester Stallone, foi encerrado após a primeira temporada e não fez teve qualquer efeito sobre o boxe. O similar de MMA (The Ultimate Fighter), realizado pelo UFC, já se encontra em sua 3ª temporada, e, além do sucesso comercial, conseguiu atrair uma legião de espectadores.

Não que se possa comparar o MMA ao boxe, mas o fato é que uma luta com tantos atrativos, contando com um ídolo mundial e um ídolo local, um combate aguardado há seis anos, tem todas as condições de se tornar a luta inesquecível.

Antes mesmo de confirmada já causa discussões em fóruns de todo o mundo. Sua concretização poderá inclusive, servir para o K-1 bater, novamente, o Pride no tradicional evento de fim de ano e soerguer a organização para junto das mais tradicionais do MMA.


Rickson Gracie x Kazushi Sakuraba?????
http://www.youtube.com/watch?v=ydgNcxPd4q0

Rickson Gracie


Sempre que o nome de Rickson Gracie (11v– 0d –0e.), é citado no mundo do MMA causa polêmica. Se entre os praticantes de jiu-jitsu Rickson é o maior nome, comparado somente, pelos saudosistas a Rolls Gracie, no MMA sua longa inatividade (sua última luta foi a vitória sobre Masakatsu Funaki em 2000) e o largo desenvolvimento do esporte, o coloca em meio de fervorosas discussões.

Apesar de não se duvidar de seu valor nos tatames e das vitórias obtidas no início do MMA, Rickson fará 48 anos em 20/11 próximo, sendo inegável que a idade pesará no confronto, ainda que Kazushi Sakuraba também não seja um menino, tem dez anos a menos.

Outro fator contrário ao Gracie é o fato do vale tudo ter se desenvolvido muito após sua retirada em 2000. Os desafios de estilos que marcaram a fase romântica inicial do UFC, PRIDE, Japan Open, entre outros, não existem mais. Atualmente por mais especialista que seja um lutador, por maior supremacia que tenha em um estilo, o desconhecimento de outro o torna presa fácil. Com isso os lutadores passaram a treinar diversas modalidades, incluindo, obrigatoriamente, o jiu-jitsu, arte que a família Gracie mostrou ser indispensável para o esporte.

A favor de Rickson pesa sua genialidade, o fato de ser considerado o maior nome do jiu-jitsu de todos os tempos. Recentemente Paulão Filho (11v– 0d –0e.), um dos maiores nomes do MMA da atualidade, contribuiu para a aura de invencível que cerca Rickson. Neste ano Paulão incluiu um período de treino com Rickson e concluiu:
“Sempre soube que ele era excepcional, mas na verdade é que não podia imaginar quanto. Já treinei com todos os grandes nomes do Carlson, de todas as gerações. Todos excelentes. Alguns fenomenais. Não quero desmerecer ninguém, mas o que Rickson fez comigo ninguém nunca foi capaz de fazer” (ver. Gracie Magazine – maio 2006).

Para concluir sobre a aura sobre Rickson e sobre a luta, Wallid Ismail, histórico rival dos Gracies, disse recentemente: “O Rickson Gracie vai matar o Sakuraba”.

É só aguardar a, na opinião do blog, a mais emblemática de MMA até hoje.

A última luta no MMA contra Masakatsu Funaki - Colosseum 2000

Kazushi Sakuraba



Kazushi Sakuraba (19v– 9d–1e) também está na estrada há muito, tendo estreado no MMA em 1996 com uma derrota para Kimo Leopoldo. Apesar do mau início, Sakuraba, nascido em 14/07/68, construiu uma das mais sólidas carreiras, tendo crescido juntamente com o Pride, evento que lutou desde o segundo evento em 1998, se tornando o maior ídolo japonês no esporte.

Wrestler profissional sem maiores destaques, Sakuraba se juntou a Nobuhiko Takada em 1996 passando a se dedicar aos eventos de MMA. Sua fase mais expressiva ocorreu justamente com as sucessivas vitórias sobre a família Gracie (Royler – finalização, Royce – desistência, Renzo – finalização, Ryan – decisão).

Após três derrotas para Wanderlei Silva, Sakuraba surpreendeu todos ao passar um período de treinamento na Chute Boxe, antes de sua vitória, por nocaute, contra Ken Shamrock.
Apesar do orgulho brasileiro, da festa dos irmãos Rua no córner, o treinamento em Curitiba fez parte, também, de outra especialidade de Kazushi Sakuraba: o marketing... Antes de suas lutas, o Japonês costuma aprontar, tanto provocando, de forma sadia, o adversário, como fez contra Arona ao pintar seu corpo em alusão à definição muscular do brasileiro, como se fantasiar de policial ou pokemon sem suas entradas.

No ringue sua característica maior é manter a calma e o semblante como se estivesse iniciando a luta naquele momento, aguardando o monto exato para atacar.

A última luta – contra Ikuhisa Minowa - Pride Shockwave 2005
http://www.megaupload.com/?d=VA6YDPWH

20 maio 2006

Especial ALI - A lenda do boxe - parte I



(Medalhista de oura nas Olimpíadas de Roma/60)

Cassius Marcellus Clay nasceu em 17/01/42 em Louisville, Kentucky, sul dos Estados Unidos, e começou a treinar boxe aos 12 anos de idade, mesmo sem o apoio da família. Aos 18 anos, como meio pesado, Cassius Clay obteve a maior vitória que um esportista amador pode almejar: a medalha de oura nas olimpíadas de Roma em 1960.
Alçado ao profissionalismo logo em seguida, fez diversas lutas como peso pesado até se credenciar para desafiar, em 1964, o então temido campeão “Sonny" Liston (WBC). Após derrotar Sonny no sétimo round, Cassius Clay unificou os cinturões em 1967 ao derrotar o campeão da WBA Ernie Terrel.
No topo de sua carreira, envolve-se com membros da Nação do Islã, grupo liderado por Elijah Muhammad, cujo objetivo central era, em síntese, revidar a opressão do homem branco nos EUA. É neste grupo que se encontravam as mais expressivas manifestações negras nos anos sessenta, passando por Malcon X e os Panteras Negras (que subiram ao pódio nas olimpíadas de 68 com os punhos cerrados em protesto).
Assim como Malcon X (antes Malcon Little), Cassius Clay também adotou novo nome para renegar a influência branca de seus antepassados, passando a ser chamado, a partir de 67, de Muhammad ALI.
Não se limitou, contudo, a modificar o nome, e envolvido na luta da Nação do Islã criticou durante o Governo Americano pelas práticas racistas e se recusou a atender a convocação para a Guerra do Vietnam.
A atitude lhe rendeu um processo movido pelo exército, uma condenação de cinco anos de prisão, multa de U$10.000,00 e a perdas de seus títulos judiciais. Após recorrer da sentença, conseguiu, em 1970, a anulação da sentença pela Suprema Corte.

Especial ALI - A lenda do boxe - parte II

(na vitória sobre Foreman Ali reconquista, no Zaire, o título mundial)

No retorno aos ringues Ali já não tinha a mesma mobilidade de pernas que caracterizou sua nobre arte e que o tornou invencível. Após vencer algumas lutas, desafiou o campeão Joe Frazier (1970) e conheceu a derrota.
Desacreditado, foi novamente obrigado a enfrentar diversos lutadores até obter uma revanche contra Joe Frazier, que havia perdido há pouco tempo, o título para George Foreman. Com a vitória se habilitou para desafiar o invicto campeão George Foreman.
Negociada por milhões de dólares por Dom King (ele mesmo) com o Ditador do Zaire (atual Congo), a luta foi levada para a África e é, por muitos, considerada o maior embate ocorrido até hoje.
Idolatrado pelos africanos e sem a mobilidade que fez seu boxe o melhor de todos os tempos, Muhammad ALI ousou na estratégia ao desgastar George Foreman permitindo que este ficasse na ofensiva por quase toda a luta, sem, contudo, se ferir. No oitavo assalto uma seqüência de golpes derrubou o cansado Foreman e devolveu ao mito o cinturão de campeão mundial.
Novamente com o cinturão, Ali fez diversas defesas do título até ser surpreendido por Leon Spinks e ser novamente derrotado em 1978. Sete meses depois, porém, recupera o título derrotando o mesmo Spinks.
Afastado da Nação do Islã, assim como Malcon X que descobre a origem da opressão no sistema capitalista e não na cor da pele, aos 36 1981nos Ali passa a se dedicar mais ao Islamismo tradicional e causas políticas sem o extremismo dos anos 60
Pressionado por dificuldades financeiras, volta a lutar em 1981, P, mas é derrotado por Trevor Berbick e, com quase 40 anos, se aposenta.
Aos 42 anos os jornais anunciam que Ali fora internado com graves sintomas de mal de Parkinson, que, ao revés do que muitos dizem, não guarda relação com o esporte praticado, já que é uma doença degenerativa que causa tremores musculares e fraqueza e que atinge um a cada 200 pessoas sem distinção.
Em sua carreira Muhammad ALI disputou 61 lutas em 21 anos de atividade, recuperou o título três vezes (único a obter a façanha) e derrotou todos seus oponentes. Além de ser o maior boxeador que o mundo conheceu, Ali ainda teve a firmeza de acreditar em seus ideais, o que faz dele não um ídolo do esporte, mas de todos aqueles que acreditam ser necessário algo a mais.

Considerada a maior luta de boxe de todos os tempos: Ali x Foremanhttp://www.megaupload.com/?d=F8F7PKU1

Ouvidoria

Não funciona o link, não estão certas as informações... se for assim há conserto.

Aposta para o Mundial de 2006

(na foto o armlock da decisão do absoluto de 2004)
Após o domínio de Márcio “Pé-de-Pano” nos tatames, o jiu-jitsu passa por momentos de ricas rivalidades, onde vários lutadores conseguem vitórias importantes, mesmo não conseguindo convencer todos de sua superioridade.

Nem mesmo o fenômeno Ronaldo Jacaré, bi-campeão mundial absoluto, consegue a unanimidade.
Outros atletas também tiveram, nestes últimos três anos, momentos de glória, como Gabriel Napão vencendo o black belt dos pesados, Margarida que, mesmo derrotado por Jacaré na decisão, mostrou boa forma na Copa do Mundo e na vitória sobre Pé de Pano (em 2005); Xande Ribeiro, vencedor no peso no Pan-americano de 2006 e da Copa do Brasil em 2004.

O equilíbrio dos últimos anos, contudo, se encontra prestes a ser quebrado.

Estimulado tanto pelas vitórias obtidas como, principalmente, por derrotas que não deveriam ter saído de suas mãos, acredito que Roger Gracie vá estabelecer em futuro próximo uma hegemonia nos tatames.
Acostumado com vitórias em todas as faixas, Roger já despontava com um lutador de destaque na marrom, quando venceu o mundial absoluto sobre Ronaldo Jacaré e o campeonato brasileiro por equipes, este lutando contra pretas.

Já em seu primeiro mundial na preta, Roger perdeu o título para o então imbatível Márcio “Pé-de-Pano”
Nos dois anos seguintes vieram as amargas derrotas para o já tradicional rival Ronaldo Jacaré. Sem desmerecer o fenômeno manaura, que se mostrou um guerreiro na primeira luta e um estrategista na segunda, o fato é que em ambas as lutas a derrota veio por questão de interpretação

Na primeira, 2004, após uma luta equilibrada, o armlock aplicado pelo Gracie poderia ilustrar um manual de jiu-jitsu, mas o Guerreiro Jacaré não bateu. A seqüência da luta, contudo, deixou marcas de controvérsia. Sem um braço, lesionado pelo golpe, Jacaré passou a fugir abertamente da luta. O juiz Fredson Alves, contudo, tratou a atitude com um procedimento normal, advertindo verbalmente, depois outras duas vezes formalmente e, quando daria a terceira advertência formal e desclassificaria o atleta, o tempo da luta acabou. Vitória de Ronaldo Jacaré.
Não questiono, como muitos, a necessidade de paralisação da luta, já que o próprio atleta admitia ter condições de continuar, mas o fato é que Jacaré não lutou, apenas fugiu. Não havia necessidade de dar cartão amarelo para depois expulsar. Não há argumentos que me convençam a aceitar a atitude do fraco Juiz Fredson Alves a permitir que, após o armlock, determinou o recomeço da luta no chão mas teve sua autoridade ignorada pelo lesionado Jacaré. Recomeçada a luta em pé, foram 40 segundos, aproximadamente, de pique pega.

A polêmica decisão do mundial absoluto de 2004
http://rapidshare.de/files/9350670/roger_e_jacare_final_de_2004.avi.html


No ano seguinte, apesar da brilhante estratégia de Ronaldo Jacaré, os dois pontos que definiram a luta vieram de uma projeção da queda, já que esta não ocorreu, pois somente seria concretizada se a placa de publicidade não impedisse o golpe.
As derrotas particulares foram vingadas no Europeu de 2005 e no ADCC/05, ambas com vitória de Roger sobre o mesmo rival.

A decisão do ADCC de 2005
http://rapidshare.de/files/4040134/adcc_RogerXJacar_.wmv.html

Europeu de 2005
http://www.subfighter.com/modules.php?name...yBKYWNhcmUuZmx2
Na última faixa, além de Jacaré e Pé-de-Pano, apenas Xande Ribeiro venceu o Gracie (na decisão do peso do Pan/06), mas esta também foi vingada no absoluto, quando o atleta da Gracie Barra aplicou um sensacional triangulo finalizando o embate.

Para ver a final do absoluto no Pan./06
http://www.bjj.eu.com/index.php?option=com_content&task=view&id=202&Itemid=46


A adoção de novos procedimentos para o mundial de 2006 com a adoção de três árbitros, tendência a ser seguida para outras competições, impedirá que outras decisões subjetivas ocorram e facilitaram o jogo cadenciado, mas criativo, de Roger Gracie.

Lancei os dados, agora é só aguardar o mundial.
ps: editado em 21/05/06 para corrigir informação sobre o juiz da decisão de 2004, já que foi Fredson Alves e não Fredson Paixão.

Vlw Anônimo.

17 abril 2006

Caiu a máscara!


Após duas lutas onde venceu de forma insofismável, o mundo do MMA pode conhecer a fragilidade de Márcio Pé-de-Pano Cruz, bi-campeão mundial absoluto de jiu-jitsu e o último a dominar os tatames sem oposição.
Não há incoerência na informação, uma vez que mesmo vencendo suas primeiras lutas por finalização e nocaute, Pé-de-Pano (2v. 1d. 0e.) sempre demonstrou um boxe cômico, quedas ineficientes e pouco variedade de chutes. Nas duas lutas, contudo, havia compensado as deficiências com o excelente jiu-jitsu.
Contra Monson (21v. – 5d. – 0e.), também excelente no submission, todas as fragilidades denunciadas nas lutas anteriores voltaram à tona.
Na trocação os jabs de Márcio Cruz não fizeram qualquer efeito, enquanto Jeff Monson chegou a derrubar o brasileiro com um dos vários jabs no alvo. À favor de Márcio Cruz poderia se pugnar pelos bons chutes baixos, mas a ausência de variedade (fora este só tentou um frontal) os tornaram fáceis de defender, tendo Monson, inclusive, derrubado o Brasileiro em um deles.
As quedas, que em outras lutas do Pé havia sido um ponto a ser melhorado, desta vez foram um desastre. O Brasileiro não conseguiu nem uma vez cair por cima, enquanto o Americano diversas vezes obteve a vantagem pela posição.
Para piorar, parece que o UFC, ao menos nesta luta, não quer trabalho de chão. Todas as vezes que Márcio Cruz fechava a guarda, posição em que é o melhor do mundo, o Juiz mandava reiniciar a luta em pé.
A derrota acende um novo alerta para Pé-de-Pano, já que Monson também não é um especialista na trocação. Se não melhorar seu boxe e suas quedas, Márcio Pé-de-Pano Cruz poderá encontrar sua vez de ser nocauteado em muito breve.
Para ver a luta no UFC 59

13 abril 2006

Grande luta?


Que nosso Dom Oscar Maroni tenta ser o Larry Flynt tupiniquim ninguém tem dúvidas, o próprio admite sua admiração pelo empresário do sexo americano, que foi tema do bom filme “O Povo contra Larry Flint”.
As dúvidas surgem, contudo, com a realização do Show Figth, já considerado, junto com o Jungle Figth, um dos dois melhores eventos de MMA do Brasil depois que o Meca deixou de ser realizado.
Até aqui somente aplausos, tanto pelo evento como por agitar o MMA em uma das maiores metrópoles do mundo (São Paulo). Mas a inclusão de lutas de “telecatch” entre mulheres somente possui o condão de fazer propagando sexual, e por conseguinte dos negócios de Dom Oscar que é proprietário da Casa Bahamas, uma espécie de disneylândia do sexo, localizada em São Paulo.
No Show Figth III ao menos colocou uma luta “séria” (ao menos aparentemente) entre modelos, a Bandida do Amor contra a Mulher Samambaia (a da foto acima, reconheceu?).
Fica a pergunta se a atitude não compromete a credibilidade do evento.
De qualquer forma vale a pena conferir:
http://rapidshare.de/files/17692480/Mulher...o_Amor.wmv.html

Novo Herói

Em tempos que a DSE/Pride procura valorizar os leves, onde possuem mais lutadores com chances de vitórias, criando não só o Pride Bushido como os cinturões da categoria dos light weight (peso leve) e welterweight (peso médio), o Brasil acha seu novo herói. Depois de colocar o invencível Gomi pra dormir, começam a chegar as informações sobre quem é Marcus “Máximus” Aurélio.

Na decisão do Pan-americano de jiu-jitsu em 1997 contra Royler Gracie.
http://www.megaupload.com/?d=5MT8ILZ6

Contra Monson (essa é boa)
http://youtube.com/watch?v=fK8mhiSza0c&search=jeff%20monson

06 abril 2006

O Grande Golpe


Instante decisivo da luta entre Marcus “Maximus” Aurélio e Talanori Gomi, captado pelas lentes sempre atentas de Susumo Nagao O Brasileiro não só havia escapado, há segundos, de um forte gancho de esquerda, que passou perto, como conseguiu a queda que lhe deu o controle do combate.
Não bastasse ter saído ileso do golpe forte do Japonês, Marcus Aurélio o pegou desprevenido e não se defendendo da queda. O resultado foi ter a luta no chão e com a meia-guarda. Depois foi só esperar a hora de por pra dormir.

04 abril 2006

Pride Bushido 10

Marcus "Maximus" Aurelio

Ao percorrer a história não é difícil encontrar heróis cujos feitos se limitam a destronar grandes guerreiros que, até prova em contrário, são invencíveis. Assim Salazar comandou seu exército na então inacreditável conquista de Constantinopla, mas não deixou ao mundo outra razão para ser lembrado.
No esporte também encontramos nossos heróis. Ninguém se esquece de James “Buster” Douglas derrubando o então invencível Mike Tyson. A fama não durou, porém, mais do que os quinze minutos regulamentares.
O último Pride Bushido ajudou a escrever mais um capítulo das façanhas heróicas. Escalado para lutar com o Garoto de Ouro Takanori Gomi (24 v. – 3 d. – 0 e. -invicto no Pride, com dez vitórias consecutivas e há dois anos sem perder), Marcus “Máximus” Aurélio (14v. 2 d. 0 e.) parecia ser apenas mais um a pavimentar a sólida carreira do ídolo japonês.
Iniciado o combate, contudo, a postura do Lutador brasileiro já surpreendeu. Ao invés de demonstrar a intenção, óbvia, de levar a luta ao chão, Marcus fechou a guarda alta e ameaçou trocar com o Japonês.
Não demorou, porém, o sólido boxe de Takanori Gomi prevalecer e encurralar Marcus Aurélio no canto do ringue. Como em toda boa batalha, o Brasileiro contou com a sorte, já que no exato instante que ataca as pernas de Gomi, este desferiu um violento cruzado em direção à cabeça, já baixa, de Marcus.
Além de escapar do golpe, certamente fatal, M. Aurélio derrubou o oponente que não estava se defendendo da queda. O resultado foi não só a queda como a meia-guarda. A partir de então o Brasileiro socava o suficiente para o juiz não determinar o retorno da luta em pé, até que encaixou um katagatame sem pressão, permitindo a fuga do adversário.
Mesmo repondo a guarda, Takanori Gomi não conseguiu se livrar do castigo. Em uma tentativa precipitada de raspar, Marcus Aurélio encaixou outro Katagame. Com o golpe bem encaixado, bastou dar pressão e esperar o Garoto de Ouro dormir.
Vitória incontestável. Agora é esperar para ver se Marcus “Máximus” Aurélio desaparece no decorrer da história ou se fará jus à alcunha lhe dada pelo site sherdog.com.

para ver luta de Marcus Aurélio:
http://www.megaupload.com/pt/?d=BHAH2WT9


Sem a surpresa no resultado, mas surpreendente o decorrer da luta foi o combate entre Murilo Ninja (Chute Boxe – 11 v. – 6 d. – 1 e.) e Paulão Filho (Brazilian Top Team - 11 v. – 0 d. – 0 e.). Afora as provocações “marqueteiras,“ se esperava um combate mais equilibrado, já que o atleta da BTT vem de grande fase e o Chute Boxer já havia provado na luta contra o excelente chão de José Mário Sperry. A luta, porém, foi um passeio. Paulão Filho socou melhor, derrubou melhor, montou melhor, amassou melhor. No único momento em que Murilo Rua mostrou alguma competência foi ao impedir que Paulão, já montado, tivesse tranqüilidade para massacrar. Só faltou ao atleta da BTT mais atitude para finalizar. Ao contrário, em momento algum rifou sua posição para a finalização.

Para ver a luta Paulão x Ninja:
http://www.megaupload.com/pt/?d=NPSGXBW2


Terminando o post vai um breve comentário da luta de Luiz Azeredo CB 10 v. – 6 d. – 0 e.). Lutador de potencial, carismático, Azeredo acreditou na lorota contada pela Chute Boxe e vai pra cima, vai pro show. Realmente, suas lutas são boas, mas sempre o expõe a nocautes clássicos. Vacilou na frente de Joachim Hansen (14 v. - 4 d.– 1 e.) e ficou esticado mais cedo que esperava.

Para ver a luta do Azeredo:
http://www.megaupload.com/pt/?d=1VSF9BDF

18 março 2006

Ju-Jitsu x Gracie Jiu-Jitsu x Brazilian Jiu-Jitsu - Parte I

(foto - Jigoro Kano ensinando Conde Koma)


Uma das questões que mais intrigam os curiosos na história do jiu-jitsu é a diferença entre o brazilian jiu-jitsu e o jiu-jitsu tradicional. Mesmo não tendo uma resposta definitiva, as pesquisas me indicam um caminho que, embora falte muito a percorrer, traçam algumas diferenciações.

O início do JJ é na verdade difícil de precisar, já que na antiguidade o combate corporal ultrapassava a acepção esportiva dos dias de hoje, constituindo na verdade um instrumento de sobrevivência.
A partir daí as lendas contam que os monges chineses, proibidos de portar armas, desenvolveram diversas técnicas de combate a possibilitar desarmar, ferir ou mesmo matar o adversário.
Decorrido algum tempo, impossível precisar o lapso exato, alguns monges chineses tiveram contato com samurais japoneses. Maravilhados com as técnicas demonstradas, os samurais passaram treinar, desenvolver e a difundir a luta aprendida, agora denominada JU (suavidade, gentileza) JITSU (técnica).

No final do século 19, por volta de 1882, Jigoro Kano fundou o Instituto Kodokan, destinado à educação física, treinamento moral e competição. Jigoro Kano era praticante de diversas modalidades marciais, mas teve como intenção dar maior ênfase ao treinamento intelectual e cultura moral, fazendo da luta não só uma arte marcial, mas também um modo de vida.

Nessa filosofia o nome JU (suavidade, gentileza) JITSU (arte, técnica) foi modificado para JUDO, já que o sufixo DO, caminho, espelha melhor a nova filosofia empregada. Desta forma, o judô passou a ter contornos extramente filosóficos, significando a utilização do treinamento marcial para o desenvolvimento intelectual e moral, tendo como objetivo último construir a perfeição humana e beneficiar o mundo.

Ju-Jitsu x Gracie Jiu-Jitsu x Brazilian Jiu-Jitsu - Parte II


(Comitiva do Instituto Kodokan)

Nos anos seguintes o Instituto Kodokan passou a difundir o judô, fazendo com que, no início do século XX, Mitsuyo Maeda (apelidado de Conde Koma devido ao seu semblante sempre tristonho) formasse uma comitiva para viajar pelo mundo. Após passar por vários países, chegaram a Porto Alegre, vindo do Uruguai. Apresentaram-se em diversos locais (Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, São Luís, Belém) até chegar a Manaus.

Com o boom do ciclo da borracha, as apresentações do Conde Koma foram recheadas de apostas milionárias e, em 1916, se realizou o primeiro campeonato (amazonense) de ju-jitsu.

Apesar da finalidade de difundir o Judô, as apresentações de Mitsuyo Maeda acabavam por impressionar pela eficiência (foi derrotado apenas uma vez por Sanshiro Satake, também membro da comitiva do Instituto Kodokan), não se fixando nos locais para a difusão mais completa da filosofia.

Em 1917, após breve passagem pela Inglaterra, Conde Koma retorna ao Brasil, em Belém, onde se apresenta em no “American Circus” e conhece Gastão Gracie, passando a ensinar o ju-jitsu e a filosofia da arte marcial a seus a seus filhos Carlos e Hélio.

Ju-Jitsu x Gracie Jiu-Jitsu x Brazilian Jiu-Jitsu - Parte IV


(foto - Carlson e seu irmão Rolls Gracie)



A derrota de Hélio Gracie, então com 43 anos, põe termo a um era, fazendo surgiu outro mito da família, Carlson Gracie, então o único com idade para desafiar Waldemar Santana.
Após vingar a derrota do Tio, Carlson continua a saga desafiando outros lutadores com intuito de promover a supremacia do JJ.
A necessidade de ganhar dinheiro, porém, faz o novo Mestre se separar de Carlos e Hélio Gracie para abrir uma academia própria, por volta de 1960.
Com o passar dos anos e com o JJ mais difundido, os desafios entre academias da mesma modalidade começam a surgir, inclusive alguns campeonatos. Carlson Gracie passa, então, a visar à vitória contra as outras modalidades e contra o próprio JJ nos escassos campeonatos do final dos anos 60 e início dos anos 70.

Quando é criada a Federação de Jiu-Jitsu do Rio de Janeiro, por Robson Gracie, o brazilian jiu-jitsu é moldado pelas mãos e filosofia de Carlson Gracie, que visava principalmente às vitórias nos campeonatos, que se tornavam cada vez mais populares.
Assim a Carlson Gracie Tean se torna imbatível por mais de vinte anos, formando lutadores especialistas em guarda, como De La Riva, e passadores, como Amaury Bitetti.

O lutador completo que tinha como objetivo a defesa pessoal cede lugar ao competidor, cujas habilidades visavam unicamente o lugar mais alto do podium.

Com a organização da modalidade, o brazilian jiu-jitsu se impõe sobre o Gracie jiu-jitsu, fazendo, inclusive, parte da família, capitaneados pelo Mestre Hélio Gracie, renegar o atual JJ e criar campeonatos que resgatem o romantismo de antes, como o 1º Aberto da Federação Internacional de Gracie Jiu-Jitsu na Califórnia (organizado por Rorion Gracie, o mesmo que criou o UFC).

O pragmatismo dos mundiais e a divulgação mundial do JJ por Royce e Rickson, porém, parece ter sepultado o idealismo de outrora, valendo, cada vez mais, utilizar os meios para a vitória nos campeonatos. Como reflexo desta modificação pode se constatar, além de lutas amarradas em campeonatos, a ausência da consciência moral e filosófica em grande parte das academias, onde se aprende técnica, contagem de pontos e macetes para a vitória em campeonatos.

A breve pesquisa feita, portanto, não coloca a existência do Ju-Jitsu, Gracie Jiu-Jitsu e brazilian Jiu-Jitsu como modalidades concomitantes, mas como fases do desenvolvimento de uma modalidade ainda nova e que ainda tem muito a aprender.

Ou não é assim?
Momento marcante do JJ, o desafio de Wallid Ismail e Royce Gracie (contribuição de Anonymous)

07 março 2006

Clássicos


Que vale tudo rima com rap e rock não é novidade, mas boa música e criatividade sempre têm seu espaço.

Vale a pena ouvir esses nocautes clássicos embalados pela música clássica.

http://www.youtube.com/watch?v=3L0txR_XuQQ&search=Pride

05 março 2006

CBJJ - hora de mudar


Há muito tenho repetido que, apesar do bom trabalho feito pela CBJJ no início da organização do esporte, já é hora de mudanças. Não nego a importância da eterna gestão do Carlinhos Gracie frente à maior organização do JJ do mundo. Foi com ele à frente da CBJJ que a modalidade se organizou e, principalmente, deu ao mundo os parâmetros para sua prática. Desta forma se impediu que o JJ ganhasse, em cada país ou região, contornos próprios, com regras separadas, o que implicaria, fatalmente, no arrefecimento do JJ.
Ocorre, contudo, que nos últimos anos a CBJJ passou a ser feudo de alguns, servindo muito mais para garantir o espaço conquistado do que para ajudar o esporte a crescer.
Não há argumentos que me faça perdoar a ausência de uma ampla campanha em todo o Brasil, movimentando cada academia, para incluir o jiu-jitsu no pan-americano de 2007, ainda que como esporte de exibição.
Muitos países já conseguiram incluir esportes mais esdrúxulos nas olimpíadas, como aquela tal de curling em que alguém joga uma panela e outros dois varrem o gelo para a panela escorregar mais rápido ou devagar. Recentemente ouvi na transmissão (na spor ttv, não me lembro o comentarista) dos Jogos Olímpicos de Turim 2006 que se houvessem os jogos olímpicos de praia o “esquibunda” estaria bem cotado para ser uma modalidade olímpica.
Pois é, pode parecer incrível, mas já incluíram “esquibunda” em jogos fictícios mas ninguém, na grande mídia, menciona a inclusão de um esporte que se propaga mundialmente nos Jogos Pan-Americanos de 2007, logo estes, realizados na meca do jiu-jitsu. Erro fatal.
É por isso que vejo com certa satisfação o artigo escrito por Reila Gracie, publicado no Jornal do Brasil em 13/08/05, mostrando-se insatisfeita com os rumos da CBJJ.
Com a palavra Reila Gracie (na foto acima cuidando de seu filho Roger no mundial):

"Jornal do Brasil - RJ13/08/2005 - 08:12

O sonho olímpico
O jiu-jítsu é o esporte individual brasileiro com mais penetração no exterior. Hoje o número de adeptos mundo afora é incalculável
Reila Gracie
Com o reconhecimento oficial e a legalização da Federação Carioca de Jiu-jítsu, em 1973, o jiu-jítsu se transformou oficialmente em esporte. Este advento representou para Carlos Gracie, meu pai, a realização de um sonho acalentado ao longo de sua vida: o de tornar o jiu-jítsu esporte para inseri-lo na formação educacional da juventude brasileira de maneira mais eficaz e abrangente. Como fez Gigoro Kano no Japão, no início do século 20, quando integrou o judô ao sistema educacional japonês. Como esporte, além da função educacional, o jiu-jítsu brasileiro ainda permitiria aos atletas sonharem com o pódio olímpico, considerado o mais elevado do mundo esportivo.
Com a realização do primeiro campeonato mundial de jiu-jítsu pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu (CBJJ), em 1995, e os campeonatos pan-americanos, realizados nos Estados Unidos, o jiu-jítsu parecia ter ingressado na maturidade profissional, tornando o sonho olímpico mais próximo e real. Dez anos depois, entretanto, constatamos que, ao priorizar outros objetivos, a CBJJ não conseguiu sequer inserir o jiu-jítsu como esporte de exibição nos Jogos Pan-Americanos de 2007, cuja cidade sede será o Rio de Janeiro, considerada mundialmente a meca deste esporte.

O jiu-jítsu é o esporte individual brasileiro com mais penetração no exterior. Hoje o número de adeptos mundo afora é incalculável. É citado em grandes produções cinematográficas e incluído em diversos documentários realizados sobre lutas e artes marciais no estrangeiro. Nos últimos cinco anos, o interesse pelo jiu-jítsu no exterior só vem aumentando, enquanto, inversamente, o seu prestígio no Brasil diminui a cada ano.
Para entender essa contradição é importante relacioná-la ao fato de a CBJJ, a instituição mais elevada do jiu-jítsu, ter deixado de ver os Jogos Olímpicos como uma meta a ser alcançada. Para participar dos Jogos Olímpicos, o Comitê Olímpico Brasileiro e o Internacional exigem um nível de rigor de organização e postura profissional que a CBJJ vem demonstrando estar longe de possuir e querer conquistar. Uma prova recente foi o último campeonato mundial realizado no final do mês passado com participação de cerca de 1.400 atletas e um público cada vez maior. O que se viu foram atletas amadurecidos que investiram alto em suas carreiras, enquanto a CBJJ produziu um evento amador e desestruturado, com árbitros desqualificados e num local que há muito tempo já não oferece condições de abrigar tanta gente. O prejuízo que a falta de profissionalismo institucional acarreta ao esporte é enorme, pois compromete a credibilidade das competições e induz, inevitavelmente, os atletas de ponta a buscarem, precocemente, no Vale-Tudo, uma perspectiva e retorno profissional que a carreira esportiva não lhes pode proporcionar. Agora é um outro momento e urge um novo salto de qualidade, retomando e revigorando o projeto de levar o jiu-jítsu brasileiro ao pódio olímpico. Os praticantes e amantes do esporte precisam unir-se em torno desse sonho, pois o jiu-jítsu tem engrandecido o país no mundo inteiro e, com certeza, como esporte olímpico trará muitas medalhas para o para o Brasil."

Business



This is american way of live. Always searching new forms to win money.

Shogum x Coleman - Incoerência?


Após a confusa e acidentada luta do último campeão do GP dos médios, Maurício Shogum, com o campeão do 1º GP, Mark Coleman, tenho recebido algumas críticas, em outros fóruns, protestando por coerência.
O motivo está no fato de eu ter criticado com veemência as atitudes de Drago e Gomi em lutas passadas, quando ambos impuseram a seus adversários lesões desnecessárias, já que estes se encontravam batidos. Neste próprio blog foi aberto um post pedindo mais coerência à revista Tatame, que apesar de lançar a bela campanha “sou da paz” não mantinha o mesmo objetivo no campo editorial.
Voltando ao desafio dos campões, porém, não consigo ver a mesma deslealdade das lutas anteriormente citadas (Gomi e Drago), mas apenas uma série lamentável de incidentes pertinentes a um esporte cujo stress é intrínseco.

Após o Coleman derrubar Shogum, que vinha bem na luta que acabara de iniciar, este fere o braço ao cair de mau jeito (é visível a contusão). No calor da luta Coleman, que estava no chão, o que dificultava sua visão da queda, vai para cima de Shogum a fim de aproveitar a posição vantajosa.
O Juiz, contudo, percebe a contusão e pula no entre os lutadores (mérito para o juiz que agiu rápido). Coleman não entendendo direito o que ocorria tenta se desvencilhar, mas somente quando o Juiz agarra sua perna é que percebe o final inesperado da luta, já que a queda aplicada foi extremamente simples e a contusão uma fatalidade.
Neste ínterim, porém, Murilo Ninja já havia entrado no ringue preocupado com o irmão e vendo a reação ainda raivosa (normal de uma luta) do Coleman parte para cima deste, de forma tímida, para tirar satisfação.
Depois disso foi só barraco. Wanderlei Silva também entra no ringue e acaba levando uma queda do Phil Baroni (dizem que foi a única baiana que ele aplicou na vida), no meio da turma do deixa disso.
Sinceramente, não vi deslealdade na luta, mas apenas uma sucessão de desentendimentos de pessoas com os nervos à flor da pele. O que foi lamentável é a troca de socos na confusão. No 2º vídeo abaixo, filmado por alguém na torcida, da pra ver o Coleman dando dois socos no Wanderlei.
Nada, porém, que uma punição (desconto na bolsa) da DSE para o Wanderlei, Murilo, Coleman e Phil não sirva para os esquentadinhos pensarem melhor da próxima vez.
Há não ser que haja a intenção da publicidade criando uma nova rixa entre equipes...


Para ver a luta e parte da treta:

http://www.youtube.com/watch?v=SZvr2CxKqfw&search=mark%20coleman%20shogun

10 fevereiro 2006

Carlson Graciel - Especial V


Carlson Gracie X Waldemar Santana
Característica comum aos mitos, muito se falou, e se fala, sobre o lutador Carlson Gracie e sua supremacia nos anos 50 e 60.
Da mesma forma que acontece com Heleno de Freitas no futebol, as realizações dificilmente possuem comprovação material, apenas tornam-se verdade pelas transmissões de geração em geração.
Às vezes, porém, surgem elementos probatórios, como, no caso, esse pequeno vídeo da luta entre Carlson e Waldemar Santana. É pouco pelo que a luta representa, mas já é um bom começo.
para ver o vídeo da luta:
http://www.graciemiami.com/videos/Carlson.mpg

07 fevereiro 2006

Márcio "Pé-de-Pano" Cruz arrassa no UFC 57


Quando li as primeiras notícias sobre a vitória do Pé, até achei que iria dar o braço a tocer, já que ele teria vencido com interrupção do Juiz após um soco abrir o supercílio de Frank Mir. Logo eu que tinha chamado o boxe dele de cômico.
Assistindo a luta, contudo, continuo com a posição anterior. Para o Pé-de-Pano virar um top, terá que dar um jeito na trocação.
Não, não há contradição com o título. O Pé, apesar de tudo contra ele, arrasou.
Sua luta contra Frank Mir era, ao menos para a organização do UFC, uma escada para o americano disputar o cinturão no UFC 59, pois antes mesmo do resultado da luta Frank Mir já tinha garantida sua chance de desafiar o campeão Andrei Arlovisk no UFC 59. Márcio Cruz entraria apenas para dar rítimo a Frank Mir.
Já no início do combate dá para perceber que o carismático (sim, Pé-de-Pano largou a mascara da arrogância e está simpático com todos) não tinha o apoio da torcida americana.
Quando a luta começa, fica claro que a nobre arte não tem o brasileiro como especialista. Mas apesar do boxe do Pé-de-Pano ainda ser muito ruím, seu chão é excepcional. Derrubado pelo Frank Mir (o Pé também precisa melhorar nas quedas), manteve a calma, inclusive defendendo uma kimura sem demonstrar que sentia o golpe. Quando os dois levantaram-se, Márcio Cruz consegiu levar a luta para o chão caindo por cima na meia guarda.
Daí pra frente não houve mais resistência. O excelente chão do Pé-de-Pano não deixou que Frank Mir fizesse qualquer movimento. Preso ao chão o Americano foi alvo fácil para os socos e cotoveladas do Brasileiro, até que o supercílio abrisse e o sangue escorresse. Mesmo após uma breve interrupção médica, com a luta recomeçando na meia guarda, não houve como o UFC proteger Mir, já que o castigo continuou, obrigando a interrupção pelo Juiz e a vitória do Pé.
Para ver a luta do Pé-de-Pano contra Frank Mir

05 fevereiro 2006

Por muito tempo não houve quem não temesse

Carlson Gracie Tean

Carlson Gracie – Especial I


Carlson Gracie – 1933 – 2006
Faleceu na última quarta-feira (01/02/06), na cidade de Chicago – EUA, Grande Mestre de Jiu-Jitsu, faixa coral nono grau, Carlson Gracie, vítima de complicações renais advindas do agravamento de diabetes.
Carlson, que tinha 72 anos, nasceu no Rio de Janeiro em 13/08/33 e foi um o maior responsável pela divulgação do jiu-jitsu quando se afastou do Mestre Hélio Gracie para trilhar seu próprio caminho e abrir diversas academias da arte suave em sua cidade natal, ensinando, inclusive, para alunos que não possuíam condições para pagar as aulas.
Lutador de vale tudo, Carlson foi o melhor de sua época (anos 50 e 60), liderou os atletas da arte suave no desafio JJxLuta Livre (ver posts neste blog) e se transformou no primeiro manager a formar uma equipe de ponta (Carlson Gracie Tean).
A pouca profissionalização da equipe, porém, fez ruir o time e remeteu o Mestre a novo início, desta vez em Chicago/EUA, onde preparava seu inevitável retorno.
Até o esta madrugada (05/02/06) as notícias que chegavam informam que o corpo será cremado nos Estados Unidos e as cinzas trazidas para o Brasil.

Nesta série especial sobre a história de Carlson Gracie vai um pouco da trajetória de um mito.

Carlson Gracie – Especial II

O Atleta
Na sua época (anos 50 e 60), foi o maior lutador de vale tudo do país, tendo estreado com 17 anos. Das diversas lutas que fez Carlson sempre destacou como adversário mais difícil Ivan Gomes, também aluno de Hélio Gracie. Em 1965, em entrevista à Revista do Esporte, Mestre Hélio Gracie desafiou todos os lutadores presente no IV Mundial que se realizava no Rio para uma luta contra seus dois pupilos, o que não ocorreu. A luta entre os dois terminou empatada, resultado comum em uma época em que não havia juízes ou decisão fora nocaute, finalização ou desistência.
A constante lembrança do nome de Ivan Gomes como sua luta mais difícil, traz, a meu ver, uma das maiores características/qualidades do Mestre Carlson Gracie: a fidelidade.
Ivan Gomes não só foi um dos maiores lutadores de jiu-jitsu de seu tempo, mas criou também um método de ensino diferente dos utilizados pelos gracies. Ainda hoje existem academias em Campina Grande e em Pernambuco que aplicam seu método. Há inclusive uma Federação Pernambucana de Jiu-Jitsu Tradicional Sistema Ivan Gomes. A Federação, contudo, sempre reclamou de um suposto boicote cometido pela CBJJ.
Se verdade, as constantes menções do Mestre a Ivan Gomes ajudaram a impedir que um mito do esporte caísse no esquecimento.
Apesar da luta contra Ivan Gomes ser eleita a mais difícil, com certeza o combate contra Waldemar Santana foi o que mais projetou o nome de Carlson na história. Waldemar, chamado de Leopardo Negro, também aluno de Hélio Gracie, se desentendeu com o Mestre quando aceitou lutar no Palácio de Alumínio, local tradicionalmente destinado eventos de tele catch (marmeladas) e o Mestre Gracie, que temia pelo desprestígio do Jiu Jitsu, ameaçou expulsar o discípulo. Waldemar ignorou a ameaça e lutou (venceu com menos de sete minutos). Com a expulsão se criou a inimizade e o desafio ao antigo Mestre.
Posteriormente Waldemar Santana desafiou Hélio Gracie, com quem lutou 3 horas e quarenta minutos, sendo que a luta terminou quanto o Santana "ergueu Hélio Gracie sobre os ombros e o arremessou ao ringue. Em seguida, encerrou o combate com um violento chute no rosto, levando o seu antigo mestre a perder os sentidos".
Depois Waldemar Santana virou ídolo nacional, sendo paparicado pela imprensa (tem até um estádio de futebol com seu nome na Bahia, na cidade de Jequié). Com a derrota do Hélio, único da família que podia lutar, Carlson assumiu as dores da família e desafiou o Waldemar Santana. Foram ao todo seis lutas, tendo Carlson vencido quatro e empatado duas.

Carlson Gracie – Especial III


Independência e personalidade
De seus ensinamentos surgiu a nova geração e que foi responsável por defender o jiu-jitsu no desafio contra a luta livre em 1991 (ver os posts abaixo sobre o desafio) e nos primórdios do MMA. Entre eles pode se destacar Fábio Gurgel; Vitor Belfort, Wallid Ismail, Paulão Filho, Ricardo Arona, Murilo Bustamante, Ricardo Libório, Zé Mário Sperry e Luis Roberto Duarte, os últimos quatro responsáveis pela fundação da Brazilian Top Tean e protagonistas de uma passagem conturbada na saída do Carlson Gracie Tean.
O afastamento do Hélio Gracie além de proporcionar maior popularização do jiu-jitsu, possibilitou uma visão mais aberta e moderna a Carlson. Enquanto a vertente tradicional da família ainda encarava o vale tudo (UFC, Japan Open, Pride) como desafio ao jiu-jitsu e, por conseguinte, à família, Mestre Carlson já semeava o profissionalismo ao encarar o treinamento de outros lutadores (inclusive não praticantes de jiu-jitsu) como parte do negócio.
Em 1998 chegou, inclusive, a treinar Wallid Ismail contra Royce Gracie em uma arena montada na praia de Copacabana. Na polêmica luta, o discípulo mais fiel de Carlson apagou Royce, com um reloginho, em cinco minutos. Além do fato de ser treinado por um Gracie, outro aspecto controvertido pairou sobre a luta. Royce, e seu staff, sempre alegaram que Wallid se utilizou de um kimono preparado que dificultava os ataques. Assim, enquanto o Gracie tentava o estrangulamento, Ismail ficou livre para o contragolpe. Após a derrota Royce Gracie perseguiu a revanche, inclusive em campeonatos, mas Wallid sempre negou a oportunidade.
A divergência nas lutas com a vertente tradicional, porém, se limitou aos tatames, tendo Carlson declarado que nunca treinaria alguém para uma luta de MMA contra a família.

Carlson Gracie – Especial IV



Carlson Gracie Tean

Mas se no lado técnico Carlson esteve adiantado no mundo do MMA, na parte gerencial sofreu com o amadorismo. As vitórias, principalmente com Vitor Belfort, inclusive uma arrasadora contra Wanderlei Silva no UFC Brazil, trouxeram alegrias, mas também divergências. Apesar de várias versões para a diáspora ocorrida na Carlson Gracie Tean, incluindo uma que o Mestre teria expulsado Ricardo Libório após este mostrar algumas posições de defesa com o mesmo Wanderlei, no UFC 25, o que teria provocado, dias depois, a saída de Sperry, Libório, Bebeo e Bustamante, a mais aceita, com certeza, foi a divisão dos lucros.
Em uma época em que as lutas não davam lucro, ao menos grandes dividendos, o fio do bigode era o suficiente para manter qualquer time, prevalecendo o respeito e a fidelidade. A entrada de grana, contudo, modificou o mundo do vale tudo, e a divisão das bolsas certamente provocou divergências entre aqueles que lutavam, os que treinavam e empresários.
Não se trata, é melhor deixar bem claro, de emitir juízo de valor, mas o dinheiro é motivo de divergências em qualquer esfera e em qualquer negócio, vide, por exemplo, a separação da equipe Godoi/Macaco; o esfacelamento do império das Indústrias Reunidas Matarazzo (quando os descendentes brigaram pelo poder); Daniel Dantas (Banco Opportunity) x Telecon Itália. Em qualquer negócio que envolva dinheiro, mesmo sob ato, as divergências pipocam.
Na Carlson Gracie Tean além de não ser diferente foi agravado pela ausência de profissionalismo na elaboração de contrato. Por anos e anos o Mestre reclamou da ingratidão, de forma extremamente contundente, dos seus discípulos.
Questionado, em entrevista ao site surfway, sobre eventual retorno de Vitor Belfort, Carlson disparou: “Nenhuma, isso é impossível, como é que eu vou aceitar um traidor, um mau caráter e um amolecedor de luta. Pesquisem bem que ele levou grana para amolecer certa luta.”.
Anos antes a relação com o Fenômeno era diferente, tendo o Mestre declarado: "Ele (Belfort), para mim, é como se fosse um filho. Largou tudo pelo Jiu-Jitsu”.
Além de tirar a possibilidade de independência financeira, a separação da equipe interrompeu a trajetória de sucesso do Treinador/ Manager, que desfalcado de seus principais atletas, desde 2000, não logrou colocar outros lutadores entre os melhores do MMA.
A morte do Mestre lançou dúvidas, inclusive, quanto à sua saúde financeira, já que dias após o falecimento circularam (em nome da ex-mulher como do filho), e ainda circulam, alguns pedidos de contribuições para ajudar nas despesas do funeral. Em pouco tempo Rose Gracie, filha de Rorion Gracie, publicou mensagem (news.adcombat.com) agradecendo o apoio e desmentindo a necessidade de ajuda financeira, esclarecendo que a família cuidaria de tudo.
Mais polêmico do que suas frases de efeito, Mestre Carlson ficará na história como o Gracie que desafiou a trilha de sua família e, honrando a tradição da mesma, difundiu ainda mais o Jiu-Jitsu e se transformou no primeiro formador de grandes nomes e equipes do MMA.
Fará muita falta.
Que descanse em paz o Guerreiro Carlson Gracie.

26 janeiro 2006

O jiu-jitsu e o Boxe (com vídeos)

Depois que o mundo do MMA se rendeu á obvia verdade que um só estilo não faria o campeão, assistimos uma verdadeira migração de atletas para o Jiu-Jitsu. O sucesso da família Gracie (Rickson e Royce) nos ringues e nos desafios demonstrou que sem saber lutar no chão as chances de vitórias seriam reduzidas. Não que todos tenham virado exímios na arte suave, ainda que alguns tenham conseguido a faixa preta, mas ao menos aprenderam o anti-jogo do JJ. Aquela amarração impedindo ataques, tornando a luta ruim e forçando o juiz a voltar para a trocação (um ótimo exemplo disso é Takanori Gomi).
A evolução do esporte forçou, também, os lutadores de chão a se aprimorarem na trocação, já que cada vez mais as quedas e as finalizações ficavam difíceis.
Um dos primeiros, lutadores de chão (apesar da precipitada faixa preta) a utilizar o boxe como arma foi Vitor Belfort, que com suas seqüências avassaladoras ganhou o apelido de fenômeno.


Para conferir uma luta do Vitor Belfort:
http://rapidshare.de/files/8644806/Vitor_Belfort_Vs._Scott_Ferrozzo.mpg.html


O desenrolar de sua carreira demonstrou a fragilidade de sua nobre arte. O sucesso no MMA fez com que acreditasse na possibilidade de disputar uma medalha olímpica. Longe dos holofotes disputou com Marcelino Novaes uma chance de ir disputar direto um pré-olímpico. Na luta, porém Vitor Belfort foi massacrado, com direito a dois knock down, levando mais de um minuto para se levantar (o que caracterizaria nocaute em uma luta normal).
Ao invés de fenômeno, acredito que Vitor Belfort se aproveitou de uma lacuna existente na época, quanto ainda se profissionalizava o MMA, e utilizou sua excelente explosão para os sucessivos nocautes.


Apesar do início fraco, o casamento do JJ com o boxe se consolidou com os irmãos Nogueira. Primeiro o Minotauro com um estilo técnico e inteligente, principalmente contra Heath Herring (como demonstra o vídeo abaixo disponibilizado), quando caça o Texano com o boxe forçando-o ao clinche e, por conseguinte, à luta no chão, onde a superioridade do Brasileiro é enorme.


Para conferir a luta citada do Minotauro:
http://www.megaupload.com/?d=511O7COL


Depois o irmão Minotoro, que além de impor ao Shogum uma desvantagem na luta em pé (algo impensável antes da luta) foi campeão brasileiro de boxe amador.

Apesar e ser fã de um boxe mais técnico (prefiro Julio César Chaves a Mike Tyson), acredito, contudo, que no MMA prevalecerá o boxe matador, contando mais os poucos golpes que desestabilizem do que muitos que minem o adversário devagar.
Seria, mais ou menos, o estilo Tyson que, a meu ver, foi assimilado pelo Takanori Gomi.


Para conferir uma luta do Mike Tyson
http://www.megaupload.com/?d=20LBRNSC


Embora eu veja que essa união seja essencial para o sucesso dos jiujiteiros no MMA, parece que minha opinião não é compartilhada por todos. Ao menos é que me leva a crer quando assisto a luta de estréia do Márcio Pé-de-pano. O supercampeão mundial (último a dominar os tatames por longo período) mostrou um boxe cômico, além de não projetar os golpes, quando desferiu um soco ia com o rosto para trás, no melhor estilo “eu finjo que de dou um soco e você não me acerta”.


Para confe(rir) a luta do Pé-de-pano:
http://www.megaupload.com/?d=9DZPYIXK

20 janeiro 2006

Música de entrada - Have Nice Day - Bon Jovi

Bom som para ouvir, principalmente os corvos.

para ouvir:

http://radio.terra.com.br/busca/musicas.php?musica=Have%20A%20Nice%20Day


tradução:
Have a nice day (tradução)

Por que você quer me dizer como viver a minha vida?
Quem é você para me dizer se é preto ou branco?
Mamãe, você pode me ajudar a entender?
A diferença entre um garoto e um homem é a inocência?
Meu papai viveu uma mentira, e pagou o preço
Sacrificou sua vida se escravizando

Refrão:
Ohhh, se existe algo para agarrar
Que me faça sobreviver durante a noiteEu não vou fazer o que não quero
Eu vou viver minha vida
Brilhando como um diamante,Rolando com o dado
Em pé no parapeito,Eu mostrarei ao vento como voar
Quando o mundo fica diante da minha cara
Eu digo:
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia

Dê uma olhada ao seu redor, nada é o que parece
Nós estamos vivendo numa casa quebrada de esperanças e sonhos
Deixe-me ser o primeiro a apertar sua mão prestativa
Alguém corajoso o suficiente pra tomar uma posição
Eu bati em todas as portas, em todas as ruas sem saída
Procurando por perdão
E o que resta para acreditar?

Refrão:
(solo)

Refrão:

Ohhh, se existe algo para agarrar
Que me faça sobreviver durante a noite
Eu não vou fazer o que não queroEu vou viver a minha vida
Brilhando como um diamante,
olando com o dadoEm pé no parapeito,Eu mostrarei ao vento como voar
Quando o mundo fica diante da minha cara
Eu digo:
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia
Enquanto o mundo continua tentando me afundar
Eu tenho que levantar minhas mãos, serei firme
Bem, eu digo:
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia

12 janeiro 2006

Em tempos de Big Brother

Ninguém deu ouvidos ao grandão do Big Brother 3 que se dizia descendente dos vinkings, fazia pose de badboy sentimental e ainda entrou em depressão quando levou um fora da miss Brasil.

Mas na verdade, Dilson Filho, o Dilsinho, conseguiu fazer o que muitos tentaram e ficaram longe: deu uma canseira enorme no Vanderlei Silva, levando vantagem no início da luta e fazendo o campeão do Pride desistir torneio. É a clássica derrota com honra.

Para quem ler o post com ressalvas, aqui vai uma parte da entrevista que o Wand deu à GracieMag (não me lembrou de qual mês):

"Minha estreia no VT foi no Ginásio Ibirapuera, no 1° Campeonato Brasileiro de VT, o mesmo evento que o Pelé enfrentou o Macaco. Lutei com um adversário 20kg mais pesado que eu. Era um torneio, mas como me machuquei todo, saí depois da primeira luta. Quebrei o dedo, abri o olho....Foi uma luta realmente muito violenta, talvez a mais dura até hoje. Ganhei com um traumatismo craniano no adversário.."

Para quem quizer ver a luta, é só dar um clique no link abaixo:

http://rapidshare.de/files/10593353/Wanderlei_Silva_Vs_Dilton.zip.html

ET: observação importante: Apesar de ser uma luta muito dura, o Dilson Filho foi nocauteado com uma cotovelada (era época do vale tudo) e foi direto para o hospital.

06 janeiro 2006

Desafio Luta Livre vs Jiu-Jitsu – (1991) II





Histórico das lutas

Desprovidos dos membros da família Gracie, inclusive do Rickson, que já residia nos Estados Unidos, coube à nova geração do Jiu-Jitsu representar a arte no desafio entabulado quando o um grupo liderado por Hugo Duarte invadiu a Copa Nastra de Jiu-Jitsu, revidando a tática usada pelos Gracies.
Foram escaladas, então, as seguintes lutas:

Wallid Ismail (JJ) vs Eugênio Tadeu (LL);
Amaury Bitetti (JJ) vs Marco Ruas (LL);
Fábio Gurgel (JJ) e Denílson Maia (LL);
Marcelo Behring (JJ) vs Hugo Duarte (LL);
Murilo Bustamante (JJ) vs Marcelo Mendes (LL).

Das lutas marcadas, duas não ocorreram, já que Marco Ruas desistiu do desafio por bolsa maior oferecida por um evento em Manaus e Marcelo Behring se contundiu, deixando Hugo Duarte (foto) desolado com a inexpressiva vitória por WO.

Wallid Ismail (JJ) vs Eugênio Tadeu (LL)
A primeira luta da noite foi também a mais violenta, com Eugênio Tadeu levando a melhor na trocação e perseguindo nova vitória sobre o Jiu-Jitsu, já que em 1984 havia vencido Renan Pitangui no Maracanãzinho.
A desvantagem em pé, porém, foi anulada pelo então faixa marrom Wallid Ismail, que levou a luta para o chão e abriu o supercílio do adversário com uma cabeçada.
A seqüência da luta não foi diferente. Com a vantagem pela contusão de Eugênio Tadeu, Wallid leva a luta pro chão logo no início do segundo round e prossegue com a tática das cabeçadas, além de socos. Ao se aproximarem do limite do ringue, o juiz determina o recomeço da luta em pé.
Eugênio Tadeu novamente leva vantagem, mas Wallid de novo consegue uma queda e retoma a seqüência de socos, não interrompida, inclusive, quando ambos caem do ringue.
A demora do bastante castigado Eugênio Tadeu a retornar levou o juiz a abrir contagem e a determinar a primeira vitória do Jiu-Jitsu.
Apesar da visível superioridade do adversário, Eugênio Tadeu sempre alegou que foi impedido de voltar por membros do Jiu-Jitsu.

Murilo Bustamante (JJ) vs Marcelo Mendes (LL)
A segunda luta não apresentou maiores dificuldades para Murilo Bustamante, que levou vantagem tanto na trocação como no chão. após montar e aplicar uma seqüência de socos, Marcelo Mendes saiu do ringue. O recomeço não mudou a história, e após o lutador de jiu-jitsu levar nova vantagem, Marcelo Mendes saiu do ringue novamente e não retornou.


Fábio Gurgel (JJ) e Denílson Maia (LL);
A terceira luta foi tida como a mais técnica, mas seu relato não difere da outras. Apesar de uma breve superioridade de Denílson no início da luta, quando levou o adversário ao chão castigando-o com chutes, Fabio Gurgel equilibrou, após o juiz determinar o recomeço em pé, com um soco que fez sangrar o nariz do adversário. Na seqüência levou Denílson ao chão, passou a guarda e montou, obrigando o juiz a encerrar o combate.


Algumas anotações:
Os fatos relatados acima foram publicados pela excelente matéria feita pela revista Tatame (dezembro 2004), a qual recomendo para melhor conhecimento da história. Na época me envolvia com o mundo da faculdade de jornalismo, não me prendendo, lamentavelmente, ao acontecimento.
A importância das lutas, porém, ultrapassa o fato dos participantes serem, ainda, hoje, nomes expressivos mundialmente, mas marca com clareza a diferença do vale tudo para o MMA (mistura de artes marciais, em inglês).
Não havia qualquer preparação ou regras específicas a fim de proteger os lutadores, valendo, inclusive cabeçadas. O ringue permitia inadmissíveis quedas. Não havia protetores bucais (que é um dos motivos que Marcelo Mendes alegou para não voltar, já que seu dente estava pendurado). A própria contagem aberta na primeira luta advém do boxe, não sendo admissível no MMA, onde a intervenção médica se mostra muito mais eficaz.
A arbitragem também primava pelo amadorismo, não tendo critérios definidos para interromper as lutas no chão. Esta também é uma das reclamações feitas pela luta livre, juntamente com o fato dos juizes e organizadores serem da arte suave.
Não que o resultado fosse diferente caso as circunstâncias fossem outras. No início da década de 90 o Jiu-Jitsu reinou absoluto não só no Brasil, mas no mundo, com a supremacia de Royce Gracie no UFC e de Rickson Gracie no Japan Open e Pride.

05 janeiro 2006

Sou da Paz


Bela iniciativa da Revista Tatame, principalmente quando convoca lutadores de destaque para se envolverem.
Com a iniciativa, cabe à Revista, também, coerência nas matérias, condenando atitudes de violência desnecessária entre atletas, como a do Takanori Gomi sobre Luciano Azeredo (Chute Boxe) ou do Edson Draggo (Minotauro team) sobre Hélio Dipp (Chute Boxe).
Manter a campanha apenas ao nível institucional, e não abraça-la na esfera editorial, a tornará superficial e mero produto de marketing.


Em tempo: nos dois exemplos citados os lutadores (Takanori Gomi e Edson Draggo) impuseram contundente nocaute sobre seus adversários (Luciano Azeredo e Hélio Dipp, respectivamente), mas mesmo com o oponente desacordado e com o juiz já terminando a luta, não pararam de bater. Hélio Dipp, inclusive, teve que operar a mandíbula em decorrência aos ataques desleais sofridos no Jungle Fight V.



Para conferir o desequilíbrio de Edson Drago:
http://rapidshare.de/files/8247007/draggoxdipp.VOB.html

Bolsa Atleta







Enfim uma boa notícia.


Sancionada em 09/07/04, a Lei 10.891 inicia a pavimentação para o desenvolvimento esportivo nacional visando um desempenho melhor nos Jogos Pan-americano de 2007 no Rio de Janeiro.
O programa tem mira no desporto de rendimento em modalidades olímpicas e paraolímpicas, ou seja, aumentar as possibilidades do Brasil obter melhores posições, principalmente, nos Jogos de 2007.
Fugindo das críticas de que o Ministério do Esporte seria uma extensão do COB, o artigo 5º da Lei abriu espaço para outras modalidades não olímpicas, e é na categoria internacional que entraram os praticantes de jiu-jitsu, Karatê, kickboxing, kungfu/wushu e outras.
As bolsas são de: R$300,00 (categoria atleta estudantil); R$750,00 (atleta nacional); R$1.500,00 (atleta internacional) e R$2.500,00 (atleta olímpico e para-olímpico).
O Atleta que pretender a bolsa deverá preencher vários requisitos, entre eles não receber patrocínio de pessoas jurídicas, públicas ou privadas e estar vinculado a alguma entidade de prática desportiva.
Nos casos de esportes não olímpicos, o atleta deverá ser indicado e ter seu desempenho referendada por histórico de resultados e situação nos rankings nacional e/ou internacional da respectiva modalidade.

Para saber mais: site do Ministério do Esporte (portal.esporte.gov.br/default.jsp)

Desafio Luta Livre vs Jiu-Jitsu (1991)

A pré-história do MMA

Passados quase dezesseis anos, o desafio Luta Livre vs Jiu-Jitsu soa como história dos antigos, já que atualmente a maioria dos praticantes não conta trinta anos.
Em 1991, porém, o cenário das artes marciais vivia em clima tenso. Depois da 1ª Geração da Família Gracie com a fase “romântica” do vale tudo, onde prevalecia a vontade dos lutadores, a honra da supremacia de suas modalidades e os constantes desafios diretos, muitas brigas ocorriam nas ruas do Rio de Janeiro e em outras cidades.
Lembro-me, muito bem, de alguns verões em Cabo Frio, quando muitos, como eu, desacostumados com lutadores de jiu-jitsu, os via com desconfiança, principalmente por nunca tirarem a camisa com o nome da arte estampado. Não raro as brigas, também não freqüentes, tinham os praticantes de jiu-jitsu no meio.
Não que o desafio de 1991 fosse inédito, pois em 1984 outro foi realizado no Maracanãzinho, com Eugênio Tadeu (luta livre) nocauteando Renan Pitangui (JJ Ac. Gracie), com o empate entre Marco Ruas e Fernando Pinduka (JJ Ac. Carlson Gracie) e com a vitória (socos na montada) de Marcelo Behring (Ac. Gracie) sobre Flávio Molina.
O que deu ao desafio de 91 maiores dimensões foi a decisão da Rede Globo em apoiar e transmitir ao vivo o embate, provocando a imprensa a cobrir as lutas. Em entrevista à revista Tatame (edição de dezembro de 2004) Wallid Ismail, que lutou o desafio, esclarece um pouco a entrada da Televisão ao mencionar que o Róbson Gracie, que estava envolvido na produção do evento, havia convencido a emissora que não haveria muita violência.
O próprio Róbson Gracie, em entrevista à mesma revista, reconhece que na idéia inicial não seriam permitidos dar socos: “Realmente não valia. A idéia era que não acontecesse”.
No dia, contudo, as regras foram respeitadas apenas nos instantes iniciais do primeiro round entre Wallid Ismail (JJ) e Eugênio Tadeu (LL), quando a luta começou com franca trocação. Após levar a luta para o chão e resistir a uma kimura de Eugenio Tadeu, Wallid contra-atacou com uma cabeçada que abriu o supercílio do adversário.
Com violência do embate, os apresentadores da Rede Globo não retornaram para anunciar as outras lutas, mas a transmissão não deixou de registrar a vitória do amazonense Vallid Ismail, ainda faixa marrom, de Murilo Bustamante (contra Marcelo Mendes, que saiu do ringue, após ser castigados por uma seqüência de socos na guarda, durante a luta e não voltou) e de Fábio Gurgel contra Denílson Maia (interrupção do arbitro após uma a montada de Fábio Gurgel).
Além da explosão do jiu-jitsu nos anos seguintes, o desafio trouxe outras conseqüências, como, por exemplo, a constatação de que o vale tudo poderia sair das feudais lutas de rua para um evento de proporções maiores e mais profissionais.
Neste norte, três anos depois, Rorion Gracie criaria o Ultimate Fighting Championship (UFC) lançando a semente que se transformaria o vale tudo em MMA (mixed martial arts) e sedimentaria a profissionalização do esporte.
Mesmo no campo técnico o desafio deixou suas marcas, tendo o líder da Chute Boxe Rudimar Fedrigo, após assistir o evento, orientado seus atletas de Muay-Tahi a praticar o jiu-jitsu.
Para saber mais: Revista Tatame n. 106 - dezembro de 2004

04 janeiro 2006