
10 fevereiro 2006
Carlson Graciel - Especial V

07 fevereiro 2006
Márcio "Pé-de-Pano" Cruz arrassa no UFC 57

05 fevereiro 2006
Carlson Gracie – Especial I

Carlson, que tinha 72 anos, nasceu no Rio de Janeiro em 13/08/33 e foi um o maior responsável pela divulgação do jiu-jitsu quando se afastou do Mestre Hélio Gracie para trilhar seu próprio caminho e abrir diversas academias da arte suave em sua cidade natal, ensinando, inclusive, para alunos que não possuíam condições para pagar as aulas.
Lutador de vale tudo, Carlson foi o melhor de sua época (anos 50 e 60), liderou os atletas da arte suave no desafio JJxLuta Livre (ver posts neste blog) e se transformou no primeiro manager a formar uma equipe de ponta (Carlson Gracie Tean).
A pouca profissionalização da equipe, porém, fez ruir o time e remeteu o Mestre a novo início, desta vez em Chicago/EUA, onde preparava seu inevitável retorno.
Até o esta madrugada (05/02/06) as notícias que chegavam informam que o corpo será cremado nos Estados Unidos e as cinzas trazidas para o Brasil.
Nesta série especial sobre a história de Carlson Gracie vai um pouco da trajetória de um mito.
Carlson Gracie – Especial II
A constante lembrança do nome de Ivan Gomes como sua luta mais difícil, traz, a meu ver, uma das maiores características/qualidades do Mestre Carlson Gracie: a fidelidade.
Ivan Gomes não só foi um dos maiores lutadores de jiu-jitsu de seu tempo, mas criou também um método de ensino diferente dos utilizados pelos gracies. Ainda hoje existem academias em Campina Grande e em Pernambuco que aplicam seu método. Há inclusive uma Federação Pernambucana de Jiu-Jitsu Tradicional Sistema Ivan Gomes. A Federação, contudo, sempre reclamou de um suposto boicote cometido pela CBJJ.
Se verdade, as constantes menções do Mestre a Ivan Gomes ajudaram a impedir que um mito do esporte caísse no esquecimento.
Apesar da luta contra Ivan Gomes ser eleita a mais difícil, com certeza o combate contra Waldemar Santana foi o que mais projetou o nome de Carlson na história. Waldemar, chamado de Leopardo Negro, também aluno de Hélio Gracie, se desentendeu com o Mestre quando aceitou lutar no Palácio de Alumínio, local tradicionalmente destinado eventos de tele catch (marmeladas) e o Mestre Gracie, que temia pelo desprestígio do Jiu Jitsu, ameaçou expulsar o discípulo. Waldemar ignorou a ameaça e lutou (venceu com menos de sete minutos). Com a expulsão se criou a inimizade e o desafio ao antigo Mestre.
Posteriormente Waldemar Santana desafiou Hélio Gracie, com quem lutou 3 horas e quarenta minutos, sendo que a luta terminou quanto o Santana "ergueu Hélio Gracie sobre os ombros e o arremessou ao ringue. Em seguida, encerrou o combate com um violento chute no rosto, levando o seu antigo mestre a perder os sentidos".
Depois Waldemar Santana virou ídolo nacional, sendo paparicado pela imprensa (tem até um estádio de futebol com seu nome na Bahia, na cidade de Jequié). Com a derrota do Hélio, único da família que podia lutar, Carlson assumiu as dores da família e desafiou o Waldemar Santana. Foram ao todo seis lutas, tendo Carlson vencido quatro e empatado duas.
Carlson Gracie – Especial III

O afastamento do Hélio Gracie além de proporcionar maior popularização do jiu-jitsu, possibilitou uma visão mais aberta e moderna a Carlson. Enquanto a vertente tradicional da família ainda encarava o vale tudo (UFC, Japan Open, Pride) como desafio ao jiu-jitsu e, por conseguinte, à família, Mestre Carlson já semeava o profissionalismo ao encarar o treinamento de outros lutadores (inclusive não praticantes de jiu-jitsu) como parte do negócio.
Em 1998 chegou, inclusive, a treinar Wallid Ismail contra Royce Gracie em uma arena montada na praia de Copacabana. Na polêmica luta, o discípulo mais fiel de Carlson apagou Royce, com um reloginho, em cinco minutos. Além do fato de ser treinado por um Gracie, outro aspecto controvertido pairou sobre a luta. Royce, e seu staff, sempre alegaram que Wallid se utilizou de um kimono preparado que dificultava os ataques. Assim, enquanto o Gracie tentava o estrangulamento, Ismail ficou livre para o contragolpe. Após a derrota Royce Gracie perseguiu a revanche, inclusive em campeonatos, mas Wallid sempre negou a oportunidade.
A divergência nas lutas com a vertente tradicional, porém, se limitou aos tatames, tendo Carlson declarado que nunca treinaria alguém para uma luta de MMA contra a família.
Carlson Gracie – Especial IV

Mas se no lado técnico Carlson esteve adiantado no mundo do MMA, na parte gerencial sofreu com o amadorismo. As vitórias, principalmente com Vitor Belfort, inclusive uma arrasadora contra Wanderlei Silva no UFC Brazil, trouxeram alegrias, mas também divergências. Apesar de várias versões para a diáspora ocorrida na Carlson Gracie Tean, incluindo uma que o Mestre teria expulsado Ricardo Libório após este mostrar algumas posições de defesa com o mesmo Wanderlei, no UFC 25, o que teria provocado, dias depois, a saída de Sperry, Libório, Bebeo e Bustamante, a mais aceita, com certeza, foi a divisão dos lucros.
Em uma época em que as lutas não davam lucro, ao menos grandes dividendos, o fio do bigode era o suficiente para manter qualquer time, prevalecendo o respeito e a fidelidade. A entrada de grana, contudo, modificou o mundo do vale tudo, e a divisão das bolsas certamente provocou divergências entre aqueles que lutavam, os que treinavam e empresários.
Não se trata, é melhor deixar bem claro, de emitir juízo de valor, mas o dinheiro é motivo de divergências em qualquer esfera e em qualquer negócio, vide, por exemplo, a separação da equipe Godoi/Macaco; o esfacelamento do império das Indústrias Reunidas Matarazzo (quando os descendentes brigaram pelo poder); Daniel Dantas (Banco Opportunity) x Telecon Itália. Em qualquer negócio que envolva dinheiro, mesmo sob ato, as divergências pipocam.
Na Carlson Gracie Tean além de não ser diferente foi agravado pela ausência de profissionalismo na elaboração de contrato. Por anos e anos o Mestre reclamou da ingratidão, de forma extremamente contundente, dos seus discípulos.
Questionado, em entrevista ao site surfway, sobre eventual retorno de Vitor Belfort, Carlson disparou: “Nenhuma, isso é impossível, como é que eu vou aceitar um traidor, um mau caráter e um amolecedor de luta. Pesquisem bem que ele levou grana para amolecer certa luta.”.
Anos antes a relação com o Fenômeno era diferente, tendo o Mestre declarado: "Ele (Belfort), para mim, é como se fosse um filho. Largou tudo pelo Jiu-Jitsu”.
Além de tirar a possibilidade de independência financeira, a separação da equipe interrompeu a trajetória de sucesso do Treinador/ Manager, que desfalcado de seus principais atletas, desde 2000, não logrou colocar outros lutadores entre os melhores do MMA.
A morte do Mestre lançou dúvidas, inclusive, quanto à sua saúde financeira, já que dias após o falecimento circularam (em nome da ex-mulher como do filho), e ainda circulam, alguns pedidos de contribuições para ajudar nas despesas do funeral. Em pouco tempo Rose Gracie, filha de Rorion Gracie, publicou mensagem (news.adcombat.com) agradecendo o apoio e desmentindo a necessidade de ajuda financeira, esclarecendo que a família cuidaria de tudo.
Mais polêmico do que suas frases de efeito, Mestre Carlson ficará na história como o Gracie que desafiou a trilha de sua família e, honrando a tradição da mesma, difundiu ainda mais o Jiu-Jitsu e se transformou no primeiro formador de grandes nomes e equipes do MMA.
Fará muita falta.
Que descanse em paz o Guerreiro Carlson Gracie.
26 janeiro 2006
O jiu-jitsu e o Boxe (com vídeos)
A evolução do esporte forçou, também, os lutadores de chão a se aprimorarem na trocação, já que cada vez mais as quedas e as finalizações ficavam difíceis.
Um dos primeiros, lutadores de chão (apesar da precipitada faixa preta) a utilizar o boxe como arma foi Vitor Belfort, que com suas seqüências avassaladoras ganhou o apelido de fenômeno.
Para conferir uma luta do Vitor Belfort:
http://rapidshare.de/files/8644806/Vitor_Belfort_Vs._Scott_Ferrozzo.mpg.html
O desenrolar de sua carreira demonstrou a fragilidade de sua nobre arte. O sucesso no MMA fez com que acreditasse na possibilidade de disputar uma medalha olímpica. Longe dos holofotes disputou com Marcelino Novaes uma chance de ir disputar direto um pré-olímpico. Na luta, porém Vitor Belfort foi massacrado, com direito a dois knock down, levando mais de um minuto para se levantar (o que caracterizaria nocaute em uma luta normal).
Ao invés de fenômeno, acredito que Vitor Belfort se aproveitou de uma lacuna existente na época, quanto ainda se profissionalizava o MMA, e utilizou sua excelente explosão para os sucessivos nocautes.
Apesar do início fraco, o casamento do JJ com o boxe se consolidou com os irmãos Nogueira. Primeiro o Minotauro com um estilo técnico e inteligente, principalmente contra Heath Herring (como demonstra o vídeo abaixo disponibilizado), quando caça o Texano com o boxe forçando-o ao clinche e, por conseguinte, à luta no chão, onde a superioridade do Brasileiro é enorme.
Para conferir a luta citada do Minotauro:
http://www.megaupload.com/?d=511O7COL
Depois o irmão Minotoro, que além de impor ao Shogum uma desvantagem na luta em pé (algo impensável antes da luta) foi campeão brasileiro de boxe amador.
Apesar e ser fã de um boxe mais técnico (prefiro Julio César Chaves a Mike Tyson), acredito, contudo, que no MMA prevalecerá o boxe matador, contando mais os poucos golpes que desestabilizem do que muitos que minem o adversário devagar.
Seria, mais ou menos, o estilo Tyson que, a meu ver, foi assimilado pelo Takanori Gomi.
Para conferir uma luta do Mike Tyson
http://www.megaupload.com/?d=20LBRNSC
Embora eu veja que essa união seja essencial para o sucesso dos jiujiteiros no MMA, parece que minha opinião não é compartilhada por todos. Ao menos é que me leva a crer quando assisto a luta de estréia do Márcio Pé-de-pano. O supercampeão mundial (último a dominar os tatames por longo período) mostrou um boxe cômico, além de não projetar os golpes, quando desferiu um soco ia com o rosto para trás, no melhor estilo “eu finjo que de dou um soco e você não me acerta”.
Para confe(rir) a luta do Pé-de-pano:
http://www.megaupload.com/?d=9DZPYIXK
20 janeiro 2006
Música de entrada - Have Nice Day - Bon Jovi
para ouvir:
http://radio.terra.com.br/busca/musicas.php?musica=Have%20A%20Nice%20Day
tradução:
Have a nice day (tradução)
Por que você quer me dizer como viver a minha vida?
Quem é você para me dizer se é preto ou branco?
Mamãe, você pode me ajudar a entender?
A diferença entre um garoto e um homem é a inocência?
Meu papai viveu uma mentira, e pagou o preço
Sacrificou sua vida se escravizando
Refrão:
Ohhh, se existe algo para agarrar
Que me faça sobreviver durante a noiteEu não vou fazer o que não quero
Eu vou viver minha vida
Brilhando como um diamante,Rolando com o dado
Em pé no parapeito,Eu mostrarei ao vento como voar
Quando o mundo fica diante da minha cara
Eu digo:
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia
Dê uma olhada ao seu redor, nada é o que parece
Nós estamos vivendo numa casa quebrada de esperanças e sonhos
Deixe-me ser o primeiro a apertar sua mão prestativa
Alguém corajoso o suficiente pra tomar uma posição
Eu bati em todas as portas, em todas as ruas sem saída
Procurando por perdão
E o que resta para acreditar?
Refrão:
(solo)
Refrão:
Ohhh, se existe algo para agarrar
Que me faça sobreviver durante a noite
Eu não vou fazer o que não queroEu vou viver a minha vida
Brilhando como um diamante,
olando com o dadoEm pé no parapeito,Eu mostrarei ao vento como voar
Quando o mundo fica diante da minha cara
Eu digo:
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia
Enquanto o mundo continua tentando me afundar
Eu tenho que levantar minhas mãos, serei firme
Bem, eu digo:
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia
Tenha um bom dia
12 janeiro 2006
Em tempos de Big Brother
Mas na verdade, Dilson Filho, o Dilsinho, conseguiu fazer o que muitos tentaram e ficaram longe: deu uma canseira enorme no Vanderlei Silva, levando vantagem no início da luta e fazendo o campeão do Pride desistir torneio. É a clássica derrota com honra.
Para quem ler o post com ressalvas, aqui vai uma parte da entrevista que o Wand deu à GracieMag (não me lembrou de qual mês):
"Minha estreia no VT foi no Ginásio Ibirapuera, no 1° Campeonato Brasileiro de VT, o mesmo evento que o Pelé enfrentou o Macaco. Lutei com um adversário 20kg mais pesado que eu. Era um torneio, mas como me machuquei todo, saí depois da primeira luta. Quebrei o dedo, abri o olho....Foi uma luta realmente muito violenta, talvez a mais dura até hoje. Ganhei com um traumatismo craniano no adversário.."
Para quem quizer ver a luta, é só dar um clique no link abaixo:
http://rapidshare.de/files/10593353/Wanderlei_Silva_Vs_Dilton.zip.html
ET: observação importante: Apesar de ser uma luta muito dura, o Dilson Filho foi nocauteado com uma cotovelada (era época do vale tudo) e foi direto para o hospital.
06 janeiro 2006
Desafio Luta Livre vs Jiu-Jitsu – (1991) II

Histórico das lutas
Desprovidos dos membros da família Gracie, inclusive do Rickson, que já residia nos Estados Unidos, coube à nova geração do Jiu-Jitsu representar a arte no desafio entabulado quando o um grupo liderado por Hugo Duarte invadiu a Copa Nastra de Jiu-Jitsu, revidando a tática usada pelos Gracies.
Foram escaladas, então, as seguintes lutas:
Wallid Ismail (JJ) vs Eugênio Tadeu (LL);
Amaury Bitetti (JJ) vs Marco Ruas (LL);
Fábio Gurgel (JJ) e Denílson Maia (LL);
Marcelo Behring (JJ) vs Hugo Duarte (LL);
Murilo Bustamante (JJ) vs Marcelo Mendes (LL).
Das lutas marcadas, duas não ocorreram, já que Marco Ruas desistiu do desafio por bolsa maior oferecida por um evento em Manaus e Marcelo Behring se contundiu, deixando Hugo Duarte (foto) desolado com a inexpressiva vitória por WO.
Wallid Ismail (JJ) vs Eugênio Tadeu (LL)
A primeira luta da noite foi também a mais violenta, com Eugênio Tadeu levando a melhor na trocação e perseguindo nova vitória sobre o Jiu-Jitsu, já que em 1984 havia vencido Renan Pitangui no Maracanãzinho.
A desvantagem em pé, porém, foi anulada pelo então faixa marrom Wallid Ismail, que levou a luta para o chão e abriu o supercílio do adversário com uma cabeçada.
A seqüência da luta não foi diferente. Com a vantagem pela contusão de Eugênio Tadeu, Wallid leva a luta pro chão logo no início do segundo round e prossegue com a tática das cabeçadas, além de socos. Ao se aproximarem do limite do ringue, o juiz determina o recomeço da luta em pé.
Eugênio Tadeu novamente leva vantagem, mas Wallid de novo consegue uma queda e retoma a seqüência de socos, não interrompida, inclusive, quando ambos caem do ringue.
A demora do bastante castigado Eugênio Tadeu a retornar levou o juiz a abrir contagem e a determinar a primeira vitória do Jiu-Jitsu.
Apesar da visível superioridade do adversário, Eugênio Tadeu sempre alegou que foi impedido de voltar por membros do Jiu-Jitsu.
Murilo Bustamante (JJ) vs Marcelo Mendes (LL)
A segunda luta não apresentou maiores dificuldades para Murilo Bustamante, que levou vantagem tanto na trocação como no chão. após montar e aplicar uma seqüência de socos, Marcelo Mendes saiu do ringue. O recomeço não mudou a história, e após o lutador de jiu-jitsu levar nova vantagem, Marcelo Mendes saiu do ringue novamente e não retornou.
Fábio Gurgel (JJ) e Denílson Maia (LL);
A terceira luta foi tida como a mais técnica, mas seu relato não difere da outras. Apesar de uma breve superioridade de Denílson no início da luta, quando levou o adversário ao chão castigando-o com chutes, Fabio Gurgel equilibrou, após o juiz determinar o recomeço em pé, com um soco que fez sangrar o nariz do adversário. Na seqüência levou Denílson ao chão, passou a guarda e montou, obrigando o juiz a encerrar o combate.
Algumas anotações:
Os fatos relatados acima foram publicados pela excelente matéria feita pela revista Tatame (dezembro 2004), a qual recomendo para melhor conhecimento da história. Na época me envolvia com o mundo da faculdade de jornalismo, não me prendendo, lamentavelmente, ao acontecimento.
A importância das lutas, porém, ultrapassa o fato dos participantes serem, ainda, hoje, nomes expressivos mundialmente, mas marca com clareza a diferença do vale tudo para o MMA (mistura de artes marciais, em inglês).
Não havia qualquer preparação ou regras específicas a fim de proteger os lutadores, valendo, inclusive cabeçadas. O ringue permitia inadmissíveis quedas. Não havia protetores bucais (que é um dos motivos que Marcelo Mendes alegou para não voltar, já que seu dente estava pendurado). A própria contagem aberta na primeira luta advém do boxe, não sendo admissível no MMA, onde a intervenção médica se mostra muito mais eficaz.
A arbitragem também primava pelo amadorismo, não tendo critérios definidos para interromper as lutas no chão. Esta também é uma das reclamações feitas pela luta livre, juntamente com o fato dos juizes e organizadores serem da arte suave.
Não que o resultado fosse diferente caso as circunstâncias fossem outras. No início da década de 90 o Jiu-Jitsu reinou absoluto não só no Brasil, mas no mundo, com a supremacia de Royce Gracie no UFC e de Rickson Gracie no Japan Open e Pride.
05 janeiro 2006
Sou da Paz

Bela iniciativa da Revista Tatame, principalmente quando convoca lutadores de destaque para se envolverem.
Com a iniciativa, cabe à Revista, também, coerência nas matérias, condenando atitudes de violência desnecessária entre atletas, como a do Takanori Gomi sobre Luciano Azeredo (Chute Boxe) ou do Edson Draggo (Minotauro team) sobre Hélio Dipp (Chute Boxe).
Manter a campanha apenas ao nível institucional, e não abraça-la na esfera editorial, a tornará superficial e mero produto de marketing.
Em tempo: nos dois exemplos citados os lutadores (Takanori Gomi e Edson Draggo) impuseram contundente nocaute sobre seus adversários (Luciano Azeredo e Hélio Dipp, respectivamente), mas mesmo com o oponente desacordado e com o juiz já terminando a luta, não pararam de bater. Hélio Dipp, inclusive, teve que operar a mandíbula em decorrência aos ataques desleais sofridos no Jungle Fight V.
Para conferir o desequilíbrio de Edson Drago:
http://rapidshare.de/files/8247007/draggoxdipp.VOB.html
Bolsa Atleta
Enfim uma boa notícia.
Sancionada em 09/07/04, a Lei 10.891 inicia a pavimentação para o desenvolvimento esportivo nacional visando um desempenho melhor nos Jogos Pan-americano de 2007 no Rio de Janeiro.
O programa tem mira no desporto de rendimento em modalidades olímpicas e paraolímpicas, ou seja, aumentar as possibilidades do Brasil obter melhores posições, principalmente, nos Jogos de 2007.
Fugindo das críticas de que o Ministério do Esporte seria uma extensão do COB, o artigo 5º da Lei abriu espaço para outras modalidades não olímpicas, e é na categoria internacional que entraram os praticantes de jiu-jitsu, Karatê, kickboxing, kungfu/wushu e outras.
As bolsas são de: R$300,00 (categoria atleta estudantil); R$750,00 (atleta nacional); R$1.500,00 (atleta internacional) e R$2.500,00 (atleta olímpico e para-olímpico).
O Atleta que pretender a bolsa deverá preencher vários requisitos, entre eles não receber patrocínio de pessoas jurídicas, públicas ou privadas e estar vinculado a alguma entidade de prática desportiva.
Nos casos de esportes não olímpicos, o atleta deverá ser indicado e ter seu desempenho referendada por histórico de resultados e situação nos rankings nacional e/ou internacional da respectiva modalidade.
Para saber mais: site do Ministério do Esporte (portal.esporte.gov.br/default.jsp)
Desafio Luta Livre vs Jiu-Jitsu (1991)
Passados quase dezesseis anos, o desafio Luta Livre vs Jiu-Jitsu soa como história dos antigos, já que atualmente a maioria dos praticantes não conta trinta anos.
Em 1991, porém, o cenário das artes marciais vivia em clima tenso. Depois da 1ª Geração da Família Gracie com a fase “romântica” do vale tudo, onde prevalecia a vontade dos lutadores, a honra da supremacia de suas modalidades e os constantes desafios diretos, muitas brigas ocorriam nas ruas do Rio de Janeiro e em outras cidades.
Lembro-me, muito bem, de alguns verões em Cabo Frio, quando muitos, como eu, desacostumados com lutadores de jiu-jitsu, os via com desconfiança, principalmente por nunca tirarem a camisa com o nome da arte estampado. Não raro as brigas, também não freqüentes, tinham os praticantes de jiu-jitsu no meio.
Não que o desafio de 1991 fosse inédito, pois em 1984 outro foi realizado no Maracanãzinho, com Eugênio Tadeu (luta livre) nocauteando Renan Pitangui (JJ Ac. Gracie), com o empate entre Marco Ruas e Fernando Pinduka (JJ Ac. Carlson Gracie) e com a vitória (socos na montada) de Marcelo Behring (Ac. Gracie) sobre Flávio Molina.
O que deu ao desafio de 91 maiores dimensões foi a decisão da Rede Globo em apoiar e transmitir ao vivo o embate, provocando a imprensa a cobrir as lutas. Em entrevista à revista Tatame (edição de dezembro de 2004) Wallid Ismail, que lutou o desafio, esclarece um pouco a entrada da Televisão ao mencionar que o Róbson Gracie, que estava envolvido na produção do evento, havia convencido a emissora que não haveria muita violência.
O próprio Róbson Gracie, em entrevista à mesma revista, reconhece que na idéia inicial não seriam permitidos dar socos: “Realmente não valia. A idéia era que não acontecesse”.
No dia, contudo, as regras foram respeitadas apenas nos instantes iniciais do primeiro round entre Wallid Ismail (JJ) e Eugênio Tadeu (LL), quando a luta começou com franca trocação. Após levar a luta para o chão e resistir a uma kimura de Eugenio Tadeu, Wallid contra-atacou com uma cabeçada que abriu o supercílio do adversário.
Com violência do embate, os apresentadores da Rede Globo não retornaram para anunciar as outras lutas, mas a transmissão não deixou de registrar a vitória do amazonense Vallid Ismail, ainda faixa marrom, de Murilo Bustamante (contra Marcelo Mendes, que saiu do ringue, após ser castigados por uma seqüência de socos na guarda, durante a luta e não voltou) e de Fábio Gurgel contra Denílson Maia (interrupção do arbitro após uma a montada de Fábio Gurgel).
Além da explosão do jiu-jitsu nos anos seguintes, o desafio trouxe outras conseqüências, como, por exemplo, a constatação de que o vale tudo poderia sair das feudais lutas de rua para um evento de proporções maiores e mais profissionais.
Neste norte, três anos depois, Rorion Gracie criaria o Ultimate Fighting Championship (UFC) lançando a semente que se transformaria o vale tudo em MMA (mixed martial arts) e sedimentaria a profissionalização do esporte.
Mesmo no campo técnico o desafio deixou suas marcas, tendo o líder da Chute Boxe Rudimar Fedrigo, após assistir o evento, orientado seus atletas de Muay-Tahi a praticar o jiu-jitsu.



